As cirurgias que devolvem os melhores sorrisos

labio-leporino
João e Íngridy pós a operação de fenda palatina e lábio leporino.

Muitas crianças terão a oportunidade de ter um sorriso diferente amanhã, 28, quando acontecerá uma triagem para cirurgias de 72 pacientes com lábio leporino e fenda palatina, no Hospital Infantil Albert Sabin. Ao todo, 50 voluntários de diferentes regiões do Brasil e também de outros países participarão da 21ª Operação Sorriso em Fortaleza.

“Apenas aqui em Fortaleza já operamos quase duas mil pessoas nesses últimos 21 anos. Além disso, foi na cidade onde realizamos nossa primeira missão no Brasil, por isso a população já nos conhece e confia no nosso trabalho”, explica Ana Stabel, diretora-executiva da Operação Sorriso.

O sorriso é uma das mais belas formas de dizer “sim” ao mundo. Para a estudante de moda, Íngridy Medeiros, 23, esse gesto certamente tem um valor bem especial! Ela nasceu com lábio leporino, uma abertura que resulta no desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do palato (céu da boca), que ocorre entre a  4ª e a 12ª semana de gestação e pode ser identificada a partir do terceiro mês com ultrassom em três dimensões.

As causas do lábio leporino ainda não são uma certeza. O que se sabe é que alguns fatores na hora da formação podem ser levados em conta. A boa notícia é que esta má formação tem um tratamento muito simples, fácil e efetivo. Na maioria das vezes a solução é apenas uma cirurgia plástica.

Foi o que a Íngridy fez, aos três meses de vida. A cirurgia é bem simples, assim como a recuperação. Quanto mais cedo ela for feita, maiores são as chances de não haver cicatriz. E com ela funcionou mesmo! Hoje é quase impossível perceber que um dia ela fez esse procedimento.

ingridy-labio-leporino
Íngridy Medeiros, 23 anos após a cirurgia do lábio leporino.

“Sem essa cirurgia, com certeza estaria vivendo o preconceito diariamente. Seria difícil pra estudar, e até arrumar um emprego.” Para a estudante de moda, a cirurgia melhorou sua aparência e qualidade de vida. Ela afirma que sem esse procedimento, ela não teria conquistado metade de tudo que tem hoje.

Outro problema que também pode acontecer durante a gestação da criança é a fenda palatina, que acontece quando o palato, também conhecido como céu da boca, não se fecha completamente durante o processo de formação do rosto. Foi o que ocorreu com o João, filho da Caroline e do Amilton. Porém, o diagnóstico não foi tão rápido quanto o de Íngridy.

Após o nascimento, os médicos não identificaram que João tinha nascido com uma fenda no céu da boca. O bebê tinha dificuldades para respirar e para mamar, mas nenhum médico conseguiu diagnosticar o que ele tinha. O pequeno precisou passar por diversos exames, muitas vezes invasivos, que não constatava o que ele tinha. Cogitaram que João poderia ter refluxo, pneumonia ou até preguiça de sugar o leite.

João e seus pais após a cirurgia. (Na foto: Caroline, João e Amilton)
João e seus pais após a cirurgia. (Na foto: Caroline, João e Amilton)

Após um mês, de médico em médico, João foi examinado por uma fonoaudióloga, que apenas abriu a boca do bebê e diagnosticou a fenda. Um procedimento simples, que poderia ter sido feito logo após o nascimento. “Dei graças a Deus por ser só uma fenda. Eu já sabia que teríamos como corrigir e isso nunca foi um problema pra nós”, declara Caroline, aliviada, ao saber qual o problema do seu bebê.

Após o diagnóstico João foi encaminhado para a Associação Beijaflor, para realizar a cirurgia. “Na Associação, passamos por uma equipe de anjos, sempre muito carinhosos e atenciosos conosco.” João fez a cirurgia corretiva da fenda com um ano e três meses, com todos os cuidados necessários antes durante e depois da operação.

Com uma recuperação surpreendente, João chegou a engordar 500g após a cirurgia.  De lá pra cá, ele continua sendo acompanhado por toda a equipe e os resultados são todos dentro do esperado para a idade dele.

14885954_1064766620308920_360775036_n

“Hoje o João tem um ano e dez meses e todos os dias nós agradecemos a Deus por ele ter vindo para as nossas vidas assim do jeitinho que ele é, uma criança linda, ativa e bom de boca. Com tantas crianças com problemas de saúde mais graves e muitas vezes sem solução, uma fenda palatina não é nada, é só uma aventura entre tantas outras que virão na vida do João.”

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), a incidência de fissuras labiais no Brasil é de 1 a cada 650 crianças. O país tem cerca de 300.000 pessoas com fissuras e a cada ano surgem 6.000 novos casos. De todas as má formações congênitas, o lábio leporino e a fenda palatina são as mais comuns.

Serviço:

Operação Sorriso
Dia de seleção dos pacientes: 28 de outubro de 2016
Horário: a partir das 8 horas
Datas das cirurgias: 30 de outubro a 2 de novembro de 2016
Informações: (85) 3101-4212
Local: Hospital Infantil Albert Sabin – Rua Tertuliano Sales, 544, Vila União

 

Comentários

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *