Tecnologia do Bem

Estudantes criam aplicativo com IA que guia primeiros socorros em emergências

Três alunos de escola técnica no interior de SP desenvolvem app que oferece instruções passo a passo para socorrer vítimas até a chegada do resgate.

18 de janeiro de 2026

Estudantes criam aplicativo com IA que guia primeiros socorros em emergências
Foto: jurvetson (BY) via Openverse

Três estudantes de uma escola técnica do interior paulista transformaram uma identificação de lacuna no mercado em uma solução potencialmente salvadora de vidas. João Masculi, Felipe de Souza e Arthur Ferreira, formandos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas da Etec Deputado Salim Sedeh em Leme (SP), criaram o Pax AI, um aplicativo baseado em inteligência artificial que funciona como um guia especializado em primeiros socorros durante situações de emergência médica.

O aplicativo surge de uma constatação importante: quando as pessoas enfrentam uma crise de saúde, como um acidente vascular cerebral ou qualquer outro tipo de emergência, elas precisam de orientações rápidas e objetivas, não de um excesso de informações genéricas. Os três jovens perceberam que buscadores convencionais e chatbots de inteligência artificial disponíveis no mercado tendiam a fornecer uma quantidade excessiva de dados sobre o tema, sem estruturar essas informações de forma prática e direta para guiar alguém em um momento crítico. Essa observação foi o ponto de partida para o projeto, orientado pelo professor Andre Candido.

O Pax AI funciona de forma simples mas eficaz: ao ser acionado, o usuário recebe instruções estruturadas em passos claros sobre como proceder no atendimento inicial à vítima. O aplicativo utiliza um chatbot alimentado por inteligência artificial generativa, desenvolvido com base na tecnologia DeepSeek, e foi treinado especificamente para responder a questionamentos sobre saúde de maneira precisa e compreensível para uma pessoa sem formação médica. Além de oferecer orientações verbais, o app consegue enviar mensagens automáticas para contatos de confiança previamente cadastrados e utiliza a geolocalização do dispositivo para facilitar o trabalho da equipe de resgate, acelerando o atendimento profissional.

A jornada do Pax AI passou por várias evoluções até chegar ao formato atual. Inicialmente, o projeto funcionava como um chatbot integrado ao WhatsApp, o que permitia acesso rápido mas tinha limitações. Posteriormente, migrou para uma plataforma web e, finalmente, tornou-se um aplicativo independente. Essa transformação em aplicativo móvel respondeu a uma necessidade prática importante: em muitas emergências, a pessoa pode não ter uma conexão de internet estável ou rápida. Por isso, o app foi desenvolvido com uma funcionalidade offline limitada mas operacional, capaz de identificar cenários comuns de emergência e oferecer um direcionamento apropriado mesmo quando desconectado da rede.

Um dos maiores desafios enfrentados pelos três jovens desenvolvedores foi garantir que todas as informações fornecidas pelo aplicativo fossem simultaneamente corretas e acessíveis. Arthur Ferreira relata que a equipe contou com o apoio de profissionais da área de saúde durante todo o processo de desenvolvimento, consultando-os sobre quais dados deveriam ser inclusos na base de conhecimento do app. Além disso, trabalharam significativamente na forma de apresentação das respostas, buscando clareza e objetividade para que qualquer pessoa, independentemente de sua formação, conseguisse compreender e seguir as instruções com segurança.

Atualmente, o Pax AI está disponível apenas como um arquivo APK para dispositivos Android, baixado fora da loja oficial de aplicativos. Essa limitação reflete o estágio ainda inicial do projeto. Os três jovens estão em busca de investimentos financeiros que lhes permitam publicar o aplicativo nas plataformas oficiais — Google Play Store e Apple App Store — ampliando significativamente o alcance e a visibilidade da ferramenta. Felipe de Souza explicou que esse primeiro aporte de capital seria dedicado ao lançamento nas lojas oficiais, o que abriria portas para que mais pessoas descobrissem e utilizassem o app. Após essa etapa, o plano é refinar continuamente a plataforma, tornando-a cada vez mais sofisticada e útil para o público geral.

O projeto destes três alunos reflete uma tendência valiosa: jovens tecnólogos identificando problemas reais na sociedade e aplicando suas habilidades para criar soluções de impacto social. Em um país onde o tempo é crítico em situações de emergência médica e nem todos têm acesso imediato a profissionais de saúde, um guia inteligente e acessível pode fazer diferença entre a vida e a morte. A iniciativa também demonstra como a formação técnica em desenvolvimento de sistemas, quando orientada por problemas práticos e reais, pode gerar inovações que vão muito além da sala de aula.

Fonte: Canaltech ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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