Saúde

Ar mais limpo em Londres melhora desenvolvimento pulmonar de crianças

Estudo de 5 anos mostra que a Zona de Ultra Baixa Emissão de Londres acelerou o crescimento pulmonar infantil, com aumento de 10 ml anuais na função respiratória das crianças.

01 de setembro de 2026

Ar mais limpo em Londres melhora desenvolvimento pulmonar de crianças
Foto: Brett Levin Photography (BY) via Openverse

Um estudo de cinco anos coordenado pela Universidade Queen Mary de Londres revelou que o ar mais limpo está melhorando significativamente o desenvolvimento pulmonar de crianças. A pesquisa acompanhou mais de 3.400 alunos de escolas primárias e constatou que, após a criação da Zona de Ultra Baixa Emissão (Ulez) em 2019, o crescimento dos pulmões das crianças na capital britânica acelerou de forma marcante. Os pesquisadores compararam crianças de seis a nove anos vivendo em áreas cobertas pela Ulez com crianças de Luton, uma cidade similar mas sem política equivalente de ar limpo, realizando testes anuais de função pulmonar entre 2018 e 2022.

Os resultados foram impressionantes. A métrica mais reveladora foi o FEV₁, que mede quanto ar uma pessoa consegue expelir em um segundo após uma respiração profunda. No início do estudo, as crianças de Londres tinham uma desvantagem média de 38 mililitros. Nos quatro anos seguintes, porém, seu crescimento anual foi cerca de 10 mililitros maior do que o das crianças em Luton, eliminando praticamente toda a diferença inicial. Um segundo indicador, a capacidade vital forçada, também melhorou mais rapidamente entre as crianças londrinas. O professor Chris Griffiths, coautor da pesquisa, declarou estar “absolutamente chocado” com a velocidade dessa melhora, afirmando que a zona de ar limpo conseguiu reduzir a poluição rapidamente e restaurar o crescimento pulmonar prejudicado.

A importância dessa descoberta reside no fato de que crianças têm pulmões em desenvolvimento, extremamente vulneráveis aos danos causados pela poluição do tráfego. Um crescimento pulmonar inadequado na infância frequentemente persiste até a vida adulta, aumentando significativamente o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares décadas depois. A Ulez, que começou cobrindo apenas o centro de Londres em 2019, expandiu-se para a região interna em 2021 e cobriu toda a capital em agosto de 2023. Os dados globais são igualmente impressionantes: as concentrações de dióxido de nitrogênio diminuíram 27%, enquanto a exposição geral da população caiu 41% entre 2019 e 2024. As partículas finas PM2.5, capazes de entrar nos pulmões e na corrente sanguínea, diminuíram 28%.

Além do impacto científico, a pesquisa documentou mudanças comportamentais significativas. Quarenta e dois por cento das crianças de Londres que antes eram levadas de carro para a escola passaram a caminhar, andar de bicicleta ou usar transporte público após a implementação da Ulez, em contraste com apenas 20% em Luton. A história de Rosamund Adoo-Kissi-Debrah adiciona dimensão humana aos números: sua filha Ella morreu em 2013, aos nove anos, após um ataque de asma, e em 2020 tornou-se a primeira pessoa no Reino Unido a ter a poluição do ar oficialmente listada como causa de morte. Adoo-Kissi-Debrah afirmou que os passos da Ulez para melhorar o ar de Londres “claramente valeram a pena”, embora ressalte que ainda há muito por fazer.

Apesar de sua eficácia comprovada, a Ulez permanece politicamente controversa, principalmente devido à cobrança diária de cerca de 13 libras aos motoristas de veículos mais antigos e poluentes. Críticos argumentam que esse custo pode recair desproporcionalmente sobre famílias de baixa renda e pequenos negócios. Contudo, os dados mostram que comunidades historicamente mais poluídas foram as que mais se beneficiaram: em algumas das regiões mais carentes próximas a ruas movimentadas, o número de pessoas expostas a níveis ilegais de poluição foi cerca de 80% menor do que teria sido sem a política. Essa descoberta demonstra como uma política de saúde pública ambiciosa pode reduzir desigualdades de saúde entre diferentes grupos socioeconômicos.

Fonte: Positive News ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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