Argentina atinge marca de 300 Empresas B e reafirma liderança latino-americana em negócios com propósito
País alcança 300 certificações de empresas que priorizam impacto social e ambiental, consolidando-se como segunda maior comunidade B da América Latina.

A Argentina acaba de atingir um marco significativo no universo dos negócios com propósito: 300 empresas certificadas como Empresas B, companhias que reformulam seus modelos de negócio para gerar valor além do lucro. Com esse feito, o país se consolida como a segunda nação latino-americana com maior número de certificações nessa categoria, ficando atrás apenas do Brasil, e ocupa a nona posição a nível global. O ano de 2026 marca um recorde histórico: até agora, foram certificadas 68 novas Empresas B no país, superando todos os anos anteriores e sinalizando uma aceleração do movimento.
O crescimento é impressionante quando observado ao longo do tempo. Em 2012, as primeiras duas Empresas B argentinas foram certificadas. Passaram-se oito anos até o país chegar a 100 certificações, em 2020. Depois, o ritmo acelerou: em 2023 atingiram 200, e em 2025 já alcançavam 300. O movimento não é mais marginal; representa uma transformação real na forma como o empresariado argentino entende seu papel na sociedade. Exemplos recentes de empresas que ingressaram na comunidade em 2026 incluem cooperativas de trabalho compartilhado, empresas de água mineral, marcas de cosméticos naturais e laboratórios farmacêuticos.
Por trás desse crescimento está uma rede robusta que gera impacto concreto. As 300 Empresas B argentinas estão distribuídas em 30 setores econômicos diferentes, criam mais de 47.800 postos de trabalho e movimentam cerca de 5,9 bilhões de dólares anuais. A presença geográfica é ampla: 16 territórios argentinos possuem essas empresas, embora a concentração maior esteja em Buenos Aires (124 empresas) e na província de Buenos Aires (97). Cidades do interior como Córdoba, Mendoza e Río Negro também ganham espaço nesse movimento, evidenciando que a preocupação com impacto social e ambiental não é privilégio dos grandes centros urbanos.
O que define uma Empresa B vai além de uma simples declaração de intenções. Essas companhias modificam seus estatutos legais para proteger seu propósito a longo prazo e implementam processos contínuos de medição e gestão de impacto socioambiental. A certificação envolve padrões rigorosos verificados sobre práticas sociais e ambientais, transparência e responsabilidade. Segundo Marina Arias, diretora executiva de Sistema B Argentina, esse marco representa um sinal de liderança em um movimento global que reposiciona as empresas como ferramentas para o bem-estar humano e planetário.
O fenômeno reflete uma mudança profunda nas expectativas dos consumidores e investidores. Pesquisas mostram que 75% dos argentinos consideram impacto social e ambiental ao comprar alimentos, e quase 70% está disposto a pagar mais por produtos sustentáveis. A nível mundial, 90% dos investidores agora leva em conta fatores ESG (Ambiental, Social e de Governança) em suas decisões, e 76% dos trabalhadores prefere desenvolver carreira em empresas comprometidas com sustentabilidade. Essa demanda de mercado impulsiona empresas a adotarem modelos mais responsáveis, mesmo em contextos econômicos desafiadores como o argentino.
O contexto argentino torna o crescimento ainda mais notável, pois o movimento é impulsionado pela convicção do setor privado, sem agendas públicas explícitas de estímulo. A ferramenta de Avaliação de Impacto B, um instrumento online gratuito, já foi adotada por 12.000 organizações argentinas. Globalmente, 320.000 organizações usam essa avaliação, e o movimento B certificado conta com 11.068 empresas em 103 países, gerando mais de 1,3 milhão de empregos. Para Arias, o desafio agora é transformar empresas com propósito de uma exceção em uma norma, ampliando ainda mais esse movimento que já prova estar em curso.
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.