Ciência

Astrônomos descobrem a estrela mais rápida da Via Láctea orbitando o buraco negro central

Batizada de S301, a estrela viaja a 25 mil km/s em órbita ao redor de Sagittarius A* e pode ajudar a medir a rotação de buracos negros pela primeira vez.

24 de agosto de 2026

Astrônomos descobrem a estrela mais rápida da Via Láctea orbitando o buraco negro central
Imagem: NASA/JPL-Caltech (domínio público)

Uma descoberta histórica no campo da astronomia acaba de ser confirmada pela colaboração internacional Gravity: cientistas identificaram a estrela mais veloz jamais observada em nossa galáxia. Seu nome é S301, e ela se comporta como um objeto celeste extremo, completando uma órbita ao redor do gigantesco buraco negro Sagittarius A*, localizado no coração da Via Láctea, em apenas 8,7 anos. A pesquisa foi publicada na prestigiosa revista Nature com base em observações feitas pelo Very Large Telescope Interferometer, instalado no Observatório Europeu Austral no deserto do Atacama, no Chile.

Para dimensionar a extraordinária velocidade dessa estrela, basta dizer que ela percorre 25 mil quilômetros em um único segundo — uma velocidade aproximadamente mil vezes maior que a da Terra em sua órbita ao redor do Sol, e cerca de cem mil vezes mais rápida que um avião de linha comercial. Essa aceleração vertiginosa coloca S301 em um regime de movimento nunca antes registrado no universo observável. O que torna essa descoberta ainda mais notável é o quão perto a estrela se aproxima do buraco negro: em seu ponto mais próximo, ela chega a uma distância equivalente a apenas doze vezes a distância média entre a Terra e o Sol — um passeio perigosamente próximo ao objeto mais gravitacionalmente intenso da galáxia.

Felix Mang, pesquisador do Instituto Max Planck para a Física Extraterrestre em Garching, Alemanha, e um dos autores do artigo científico, destaca a singularidade dessa estrela: sua órbita é tão extremamente apertada e sua trajetória tão próxima ao buraco negro que não há precedentes de observação tão direta. O fato de S301 passar tão perto de Sagittarius A* a torna uma ferramenta científica inestimável, pois ela interage com os efeitos gravitacionais e relativísticos gerados pelo buraco negro rotativo. Essa interação, segundo a teoria geral da relatividade de Einstein, produz distorções no tecido do espaço-tempo que podem ser detectadas e medidas.

O que torna essa descoberta particularmente empolgante para a comunidade científica é o potencial de responder uma pergunta fundamental da astrofísica: qual é a taxa de rotação de um buraco negro supermassivo? Segundo Stefan Gillessen, também do Instituto Max Planck e coautor do estudo, nos próximos dez anos os astrônomos esperam utilizar as observações de S301 para medir pela primeira vez a rotação de Sagittarius A*. Isso representaria um marco fundamental: a comprovação direta de uma predição central da teoria da relatividade geral que ainda não havia sido testada de forma tão precisa no caso de buracos negros massivos.

A estrela S301 funciona, em certo sentido, como uma sonda natural enviada pela própria natureza para sondar as propriedades mais profundas dos buracos negros. Cada volta completa ao redor de Sagittarius A*, a estrela coleta informações sobre os campos gravitacionais extremos presentes naquela região do espaço. Os dados coletados pelo Very Large Telescope Interferometer — que funciona combinando luz de vários telescópios para criar uma imagem de altíssima resolução — permitirão aos cientistas refinar seus modelos teóricos e talvez até descobrir aspectos inesperados do comportamento dos buracos negros rotacionais.

Essa descoberta não é apenas um triunfo da astronomia observacional, mas também um exemplo da capacidade humana de construir instrumentos cada vez mais sofisticados para desvendar os segredos do cosmos. A tecnologia de interferometria, combinada com análise de dados avançada, tornou possível rastrear uma estrela tão pequena e distante, viajando tão rapidamente. Nos próximos anos, à medida que mais dados forem coletados e analisados, S301 certamente permanecerá como um dos objetos mais fascinantes do universo observável, oferecendo pistas sobre a física fundamental em ambientes extremos que os laboratórios terrestres nunca poderão reproduzir.

Fonte: ANSA ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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