Baleias-jubarte voltam em peso ao litoral brasileiro e população se aproxima da recuperação total
Censo aéreo estima 25 mil jubartes na costa do Brasil, número próximo ao de dois séculos atrás, antes da caça.
Poucas histórias de conservação marinha no Brasil são tão animadoras quanto a das baleias-jubarte. Um levantamento aéreo divulgado no fim de 2022 estimou cerca de 25 mil animais nadando pelas águas brasileiras na temporada daquele ano, um patamar muito próximo do que se acredita ter existido há dois séculos, quando a espécie ainda não havia sido dizimada pela caça.
O contraste com o passado recente impressiona. Quando o monitoramento sistemático começou, em 2003, os pesquisadores contabilizavam pouco mais de 3.600 jubartes. O salto para dezenas de milhares em menos de vinte anos mostra a velocidade com que a natureza consegue reagir quando a principal ameaça é removida e o ambiente é protegido.
O trabalho de campo foi conduzido pelo Instituto Baleia Jubarte, em parceria com uma empresa de consultoria socioambiental, e cobriu uma extensão enorme: cerca de 6.200 quilômetros de costa, indo da divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte até o litoral norte de São Paulo. O sobrevoo confirmou que a população brasileira está perto de se recuperar por completo.
O coração dessa recuperação está no Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, considerado o principal berçário da espécie no país. É para lá que os animais migram entre junho e novembro, para acasalar e cuidar dos filhotes em águas mais calmas e quentes, transformando a região em um dos melhores lugares do mundo para observar essas gigantes.
A virada só foi possível graças a décadas de proteção. A caça à jubarte foi proibida nacionalmente ainda no século passado, e uma moratória internacional interrompeu a captura comercial na década de 1980. O resultado é um exemplo concreto de que decisões ambientais firmes e mantidas por gerações podem trazer de volta espécies que já estiveram à beira do desaparecimento, beneficiando o oceano inteiro.