Beisebol Feminino Profissional Retorna após 70 Anos, e Lenda de 99 Anos Inaugura Nova Era
Após sete décadas de hiato, o beisebol feminino profissional dos EUA renasce com a participação emocionante de Maybelle Blair, jogadora centenária que ajudou a abrir o caminho.

A história do beisebol feminino profissional nos Estados Unidos ganhou um novo e poderoso capítulo em agosto, quando a recém-criada Liga Profissional de Beisebol Feminino (WPBL) começou suas operações em Springfield, Illinois. O que tornaria esse momento ainda mais especial foi a presença de Maybelle Blair, uma jogadora de 99 anos que não apenas testemunhou o ressurgimento do esporte, mas participou ativamente dele — mesmo com as limitações de idade, tendo se recuperado de uma queda que lhe causou quatro costelas fraturadas semanas antes do evento.
Maybelle ganhou fama como arremessadora da Peoria Redwings durante a temporada de 1948, na antiga Liga Profissional de Beisebol para Meninas (All-American Girls Professional Baseball League), que operou durante a Segunda Guerra Mundial e inspirou o clássico filme de 1992 “Uma Liga Própria”. Quando aquela liga original encerrou suas atividades há mais de sete décadas, o beisebol profissional feminino desapareceu do panorama desportivo americano — até agora. A jovem centenária não deixaria que uma lesão recente a impedisse de marcar presença: em entrevista, ela declarou que nem mesmo crawling (rastejar) a teria mantido longe daquele momento histórico.
No dia 1º de agosto, na cidade que ainda guarda memória de ter abrigado uma franquia da antiga liga, Maybelle jogou o primeiro arremesso cerimonial do jogo inaugural da WPBL, entre o LA Queens e o NY Heights. O evento revelou-se memorável não apenas pela volta do esporte, mas também por um detalhe peculiar: Maybelle foi apresentada ao mascote da liga — que também se chama Maybelle. Como observou um cronista do evento, talvez tenha sido a primeira e única vez que alguém foi formalmente apresentado a sua versão mascote.
O jogo em si entrará para os registros. Denae Benites, jogadora do NY Heights, marcou o primeiro home run na história da nova liga e terminou a partida com um desempenho perfeito de 4 acertos em 4 tentativas, além de roubar três bases. Não obstante, o LA Queens reverteu o placar nos momentos finais, conquistando a vitória com quatro corridas na última entrada, oferecendo um desfecho dramático a um dia já repleto de emoção. Ayami Sato, arremessadora japonesa do Queens que jogou três entradas, expressou a profundidade do significado do momento: para ela e para muitos atletas da liga, era a realização de um sonho que carregavam há anos.
A nova liga iniciará sua primeira temporada com um calendário de 30 jogos que se estenderá até setembro. Quatro franquias disputarão na cidade de Springfield, que servirá como sede de todas as partidas por enquanto. Os dirigentes da WPBL têm esperanças de expandir o projeto no ano seguinte, adicionando mais equipes e ampliando o alcance geográfico. A iniciativa integra no elenco jogadores como Mo’ne Davis, que fez história em 2014 ao se tornar a primeira menina a arremessar um shutout na Série Mundial da Little League.
O significado da volta do beisebol profissional feminino transcende números e estatísticas. Conforme observou Jean Fruth, criadora do documentário “Veja Ela, Seja Ela” (See Her, Be Her), sobre mulheres jogadoras de beisebol ao redor do mundo, “o que estão fazendo é maior que beisebol. Seu impacto vai muito além do jogo — é sobre mostrar à próxima geração que existe um lugar para elas neste esporte e ajudá-las a acreditar que tudo é possível”. Maybelle Blair, cuja história inspirou o personagem Mae Mordabito no filme de 1992 (interpretado por Madonna), tornou-se o símbolo vivo dessa transformação. Com lágrimas nos olhos, ela resumiu o sentimento: “Este é o dia mais feliz da minha vida”.
Para uma jogadora que começou sua carreira em uma era em que o beisebol feminino era uma novidade durante tempos de guerra, ver o esporte que ela amava renascer em um novo século representa mais que nostalgia — é validação. As novas atletas da WPBL caminham literalmente no rastro deixado por Maybelle e suas contemporâneas, que pavimentaram um caminho que muitos acreditavam estar fechado para sempre. Com a liga em marcha e gerações futuras de meninas testemunhando que seu lugar no beisebol é real e possível, a história que começou 70 anos atrás finalmente continua sua narrativa.