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Chuva nos telhados pode quebrar o ciclo de calor das cidades

Pesquisadores descobrem que coletar água da chuva nos telhados para resfriar naturalmente as construções pode reduzir consumo de ar-condicionado e o calor urbano.

18 de agosto de 2026

Chuva nos telhados pode quebrar o ciclo de calor das cidades
Foto: jurvetson (BY) via Openverse

As cidades estão presas a um ciclo perverso de calor e energia. Cada aparelho de ar-condicionado extrai o calor de dentro de um edifício e o lança na rua, elevando a temperatura externa. Quanto mais quente fica lá fora, mais pessoas ligam seus aparelhos, agravando ainda mais o problema. Cientistas da Universidade de Manchester encontraram uma saída engenhosa: usar a água da chuva que já cai nos telhados das construções para resfriar naturalmente os edifícios e quebrar esse ciclo vicioso.

O estudo, publicado na revista Earth’s Future, apresenta um sistema que coleta água de chuva, armazena-a em tanques instalados nos telhados e a pulveriza sobre a superfície do edifício quando as temperaturas sobem. A água evaporada sobre o telhado molhado funciona como um ar-condicionado natural: resfria a cobertura por evaporação, reduz o calor que entra no edifício, diminui a necessidade de usar aparelhos convencionais e, consequentemente, libera menos calor nocivo para as ruas. Os pesquisadores utilizaram Tóquio como estudo de caso para validar o modelo, que foi desenvolvido de forma flexível o suficiente para que urbanistas de qualquer cidade possam adaptá-lo à sua realidade local.

Um achado surpreendente emergiu da pesquisa: o momento em que os borrifadores são ativados é mais importante do que a quantidade de água utilizada ou o tamanho dos tanques de armazenamento. Tanques enormes produziram apenas modestas reduções adicionais no consumo de energia e na intensidade dos dias de calor extremo. Da mesma forma, usar mais água nem sempre significava mais resfriamento, já que qualquer excesso que não evaporasse simplesmente permanecia na superfície. O pesquisador principal, Dr. Zhonghua Zheng, ressaltou que cidades ao redor do mundo enfrentam desafios crescentes de calor extremo, e essa abordagem oferece um caminho prático para reduzir tanto a demanda por energia quanto as temperaturas urbanas.

A escala do desafio global é impressionante e preocupante. Em 2022, o resfriamento de ambientes consumiu cerca de 2.100 terawatts-hora de eletricidade em todo o mundo, aproximadamente sete por cento de toda a energia global naquele ano. A Agência Internacional de Energia projeta um crescimento acentuado: as instalações de ar-condicionado podem quase triplicar nos próximos três decênios, chegando a 5,5 bilhões de unidades globalmente. Esse crescimento exponencial traz consequências em múltiplas frentes: sobrecarga nas redes elétricas, aumento de emissões da geração de energia e maior risco de vazamentos de refrigerantes. Os refrigerantes mais comuns, hidrofluorcarbonetos e hidroclorofluorcarbonetos, retêm milhares de vezes mais calor na atmosfera do que o dióxido de carbono. A União Europeia e Reino Unido estão eliminando gradualmente essas substâncias em favor de alternativas naturais como propano e dióxido de carbono, embora a inflamabilidade do propano complique a instalação.

Trabalhos complementares reforçam essa busca por soluções. Um estudo de 2024 conduzido pela UCL e Universidade de Exeter examinou o que teria acontecido se Londres tivesse pintado seus telhados de branco durante o verão de 2018, um dos mais quentes registrados na cidade. A temperatura média de junho a agosto atingiu 19,2 graus Celsius, aproximadamente 1,6 graus acima do normal para esse período. Segundo a modelagem, se telhados claros fossem amplamente adotados, a temperatura média do ar ao nível do solo poderia ter reduzido em cerca de 0,8 graus Celsius. O pesquisador líder, Dr. Charles Simpson, afirmou que a adoção generalizada de telhados frios reduziria significativamente a temperatura do ar em nível de solo, salvando vidas e melhorando a qualidade de vida dos residentes urbanos.

O que torna essa solução particularmente atraente é sua simplicidade e viabilidade. A coleta de água de chuva e os telhados claros são duas abordagens distintas para o mesmo problema de calor urbano — uma através da evaporação, outra através da reflexão —, mas nenhuma delas exige construção de infraestruturas exóticas ou dispendiosas. Os telhados já estão lá, já recebem chuva, e podem ser facilmente adaptados para trabalhar a favor das cidades. Para municipalidades e proprietários de imóveis enfrentando ondas de calor cada vez mais intensas, essas técnicas oferecem caminhos acessíveis para contribuir com a resiliência térmica urbana.

Fonte: Optimist Daily ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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