Meio Ambiente

Cidades britânicas transformam antigas minas de carvão em fontes de energia limpa

Gateshead reutiliza minas de carvão desativadas para aquecer casas com calor geotérmico, reduzindo emissões em 72 mil toneladas de CO2 em 40 anos.

21 de agosto de 2026

Cidades britânicas transformam antigas minas de carvão em fontes de energia limpa
Foto: Lee Paxton (BY-SA) via Openverse

Gateshead, no nordeste da Inglaterra, é uma cidade cuja identidade esteve profundamente ligada à mineração de carvão por mais de 650 anos. Do século 14 até a década de 1980, gerações de famílias trabalharam nas profundezas da terra extraindo esse combustível fóssil. Hoje, porém, a mesma terra que fornecia carvão está sendo aproveitada de forma radicalmente diferente: para fornecer calor limpo e aquecimento para toda a comunidade.

Em março de 2023, Gateshead ativou um sistema inovador de aquecimento urbano alimentado por calor geotérmico das antigas galerias de mineração. Uma bomba de calor de seis megawatts extrai calor da água que naturalmente preenche as minas, localizada cerca de 150 metros abaixo da superfície. Essa água subterrânea mantém temperatura natural de aproximadamente 15 graus Celsius, que é amplificada para 80 graus Celsius e distribuída através de mais de cinco quilômetros de tubulação para cerca de 350 casas, além de instituições como o Gateshead College e o Baltic Centre for Contemporary Art. O governo britânico estima que a iniciativa economizará 72 mil toneladas de dióxido de carbono ao longo de 40 anos.

A Lanchester Wines, empresa de armazenamento de bebidas, foi pioneira na Grã-Bretanha ao adotar sistemas de calor de mina já em 2017. Seus dois armazéns funcionam com capacidade combinada de quatro megawatts e aquecem cerca de 33 mil metros quadrados de espaço. A empresa reduziu a pegada de carbono de suas operações em 80%, caindo de 3,6 mil toneladas para 750 toneladas de emissões anuais. Para cada unidade de eletricidade gasta, os sistemas conseguem gerar de cinco a seis unidades de calor — uma eficiência impressionante que torna a solução economicamente viável.

Para os residentes, os benefícios são práticos e imediatos. Um morador que vive na mesma casa há 52 anos foi conectado ao sistema há dois anos e relata redução significativa nas contas de energia, pagando cerca de 100 libras esterlinas por mês e acumulando crédito. Pesquisadores da Universidade de Northumbria identificaram que os moradores abraçam a mudança por três razões principais: contas de energia mais baratas, redução nas emissões locais e o orgulho em reutilizar a infraestrutura histórica da mineração.

O desenvolvimento enfrentou desafios técnicos e sociais. Registros de minas britânicos, frequentemente desenhados à mão e incompletos, criaram obstáculos significativos: dos 12 poços de perfuração inicialmente planejados, apenas quatro foram bem-sucedidos. Além disso, água de mina ácida danificou algumas peças dos trocadores de calor, levando especialistas a recomendar margem de contingência para futuros projetos. Socialmente, comunidades de antigas regiões de mineração precisam ser verdadeiras parceiras desde o início, com voz real sobre transtornos, preços e benefícios.

Gateshead representa um modelo esperançoso para dezenas de outras cidades britânicas construídas sobre antigas minas de carvão. Enquanto a tecnologia prova ser robusta e economicamente viável, o verdadeiro sucesso dependerá de como as comunidades são envolvidas. Reutilizar a infraestrutura do passado para alimentar um futuro limpo é tecnicamente possível e ambientalmente urgente, mas funcionará completamente apenas se os residentes forem verdadeiros parceiros no processo de transformação.

Fonte: Reasons to be Cheerful ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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