Ciência

Como proteger árvores frutíferas contra o calor extremo do verão

Conheça técnicas científicas e práticas para salvar pomares da ruptura estival, um fenômeno que quebra galhos durante ondas de calor intenso.

21 de agosto de 2026

Como proteger árvores frutíferas contra o calor extremo do verão
Foto: ImageGuy2288 (BY-SA) via Openverse

Durante períodos de calor extremo, os pomares enfrentam um risco silencioso: a ruptura estival. Trata-se de um fenômeno que causa a quebra repentina de galhos inteiros, mesmo em árvores viçosas e saudáveis. O responsável é a combinação de temperaturas acima de 36 a 38 graus Celsius com a falta severa de água no solo. Quando o termômetro sobe demais, a estrutura interna das plantas é levada ao extremo, provocando danos que podem ser irreversíveis sem prevenção adequada.

O fenômeno afeta árvores de diferentes idades de maneiras distintas. Em árvores adultas, ocorre um processo chamado cavitação, quando a coluna de água nos vasos condutores de seiva se rompe abruptamente, causando ressecamento repentino. Árvores jovens recém-plantadas enfrentam vulnerabilidade ainda maior porque seus sistemas de raízes ainda não atingem a profundidade necessária para alcançar água nas camadas mais profundas. Além disso, a casca fina sofre queimaduras diretas da radiação solar, especialmente na face exposta ao pôr do sol. Espécies comuns em pomares brasileiros, como cerejeira e maçã, estão entre as primeiras vítimas.

Para enfrentar esse desafio, a solução comprovada é o badigeon de cal — uma mistura que funciona como protetor solar, criando barreira térmica que reflete o calor excessivo e repele pragas. A aplicação deve cobrir apenas o tronco, sem tocar folhas ou ramos jovens. Outras soluções incluem telas de sombreamento, guarda-sóis especiais ou anteparos posicionados entre 12 e 16 horas, quando a intensidade solar é máxima. No solo, uma camada generosa de cobertura morta — palha, madeira fragmentada, folhas secas ou grama cortada — isola a terra dos raios e reduz drasticamente a evaporação, enriquecendo gradualmente o solo conforme se decompõe.

A rega durante calor intenso segue lógica específica: é melhor regar abundantemente a cada 3 ou 5 dias do que fazer pequenas regas diárias. Um aporte generoso força a penetração profunda, estimulando as raízes a crescerem para camadas mais úmidas e frias. O timing é crucial — regar no início da manhã ou final da tarde evita evaporação instantânea. Para árvores jovens, criar uma pequena bacia ao redor da base melhora retenção de água. Em estresse hídrico severo, rega sob a copa concentra recursos onde as raízes absorvem. Se o solo estiver compactado, pequenos furos facilitam infiltração.

Um erro crítico é podar durante pico de calor. A folhagem funciona como protetor natural essencial dos ramos e frutos; podar nessa época expõe a árvore a queimaduras, atrai pragas e força desperdício de energia para cicatrização. Se a árvore estiver sobrecarregada, fazer desbaste — remover alguns frutos imaturos — reduz consumo de água e melhora qualidade da colheita.

Para construir um pomar resiliente às ondas de calor crescentes, repensar práticas de plantio é fundamental. Adotar formas adequadas para climas quentes permite que o dossel foliar proteja naturalmente a colheita. Plantar a partir do caroço desenvolve sistema radicular profundo e robusto. Semear o solo com leguminosas de baixo consumo de água — como trevo ou alfafa — ou plantas aromáticas como orégano, tomilho e artemísia ajuda a manter o solo fresco. Essas estratégias combinadas transformam o pomar em ecossistema robusto e capaz de enfrentar desafios climáticos crescentes.

Fonte: Positivr ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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