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Baleias-cachalote usam bolhas de ar para dormir seguras nas profundezas do oceano

Pesquisa escocesa e suíça descobre que baleias-cachalote liberam bolhas de ar enquanto dormem para evitar flutuar à superfície.

01 de agosto de 2026

Baleias-cachalote usam bolhas de ar para dormir seguras nas profundezas do oceano
Foto: Ryan Somma (BY-SA) via Openverse

Um mistério de séculos sobre o sono das baleias-cachalote finalmente ganhou resposta graças a uma pesquisa inovadora conduzida por cientistas europeus. Essas gigantescas criaturas marinhas desenvolveram um mecanismo engenhoso: liberam bolhas de ar enquanto dormem para permanecerem submersas e seguras nas profundezas do oceano, evitando flutuar para a superfície como uma rolha de cortiça. A descoberta, publicada no Journal of Experimental Biology, revelou um comportamento sofisticado que demonstra como a natureza encontra soluções criativas para os desafios da vida marinha.

O estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de St. Andrews (Escócia) e Neuchâtel (Suíça), resolveu uma questão que intrigava biólogos marinhos há tempos. As baleias-cachalote possuem uma anatomia peculiar: suas cabeças ocupam aproximadamente um terço do corpo total e são repletas de óleo, cera e ar—materiais naturalmente flutuantes. Essa característica criava um paradoxo: como esses animais conseguem descer e permanecer no fundo do mar durante o repouso sem serem puxados para cima pela própria flutuabilidade natural?

Para desvendar esse enigma, os cientistas instalaram equipamentos de alta tecnologia em 42 baleias-cachalote nas Ilhas Lofoten, na costa da Noruega. Os dispositivos foram presos ao corpo dos animais usando sucção e registravam múltiplos dados simultaneamente: o som das bolhas liberadas pelo espiráculo (a abertura respiratória), a profundidade em que as baleias se encontravam e a orientação de suas cabeças. Essa abordagem inovadora permitiu aos pesquisadores acompanhar com precisão o comportamento do sono desses gigantes marinhos, capturando informações que nunca haviam sido coletadas de forma tão detalhada.

Os resultados revelaram que as baleias-cachalote descansam de três maneiras distintas, cada uma exigindo uma estratégia de flutuabilidade diferente. Algumas colocam a cabeça para baixo e mergulham brevemente antes da cabeça naturalmente flutuante virar para cima em direção à superfície. Outras descem lentamente de cauda para baixo, cerca de oito metros abaixo da superfície. Uma terceira estratégia envolve repouso enquanto sobem lentamente após mergulhos profundos que ultrapassam duzentos metros. Durante os cochilos próximos à superfície, as baleias liberam bolhas aproximadamente onze vezes; já durante a ascensão lenta do fundo, liberam apenas três ou quatro bolhas. Essa variação reflete uma adaptação sofisticada ao ambiente submarino.

A explicação por trás desse comportamento está fundamentada na física básica das profundezas oceânicas. Quando as baleias mergulham em águas profundas, a pressão da água comprime o ar em seus pulmões, reduzindo sua flutuabilidade natural. Isso significa que precisam liberar menos bolhas para permanecer submersas durante o descanso profundo. No entanto, quando repousam próximo à superfície, o ar em seus pulmões tende a expandi-los gradualmente, aumentando a flutuabilidade e impelindo-os para cima. Liberar bolhas de ar compensa essa tendência, permitindo que permaneçam na profundidade desejada sem esforço excessivo.

O professor Patrick Miller, coautor do estudo pela Universidade de St. Andrews, explicou esse mecanismo com clareza: mergulhos profundos exigem grandes reservas de oxigênio, mas a compressão da água reduz a flutuabilidade, necessitando de menos bolhas para mantê-los submersos. Por outro lado, repouso próximo à superfície cria o efeito inverso, demandando liberações de bolhas para compensar a tendência de flutuação. Essa calibração automática e precisa sugere uma inteligência biológica notável.

Um aspecto que ainda intriga os cientistas é se a liberação de bolhas constitui uma decisão consciente das baleias ou um processo automático durante o sono. Noémie Freymond, autora principal da pesquisa, reconheceu que o nível de consciência desses animais durante o repouso permanece em aberto. As baleias-cachalote dormem como os humanos, em um sono profundo contínuo, ou adotam um modelo semelhante ao dos golfinhos, que mantêm uma metade do cérebro acordada enquanto a outra repousa? Qualquer que seja a resposta, a descoberta indica que esses animais monitoram constantemente seu ambiente e sua posição na coluna de água, ajustando seu comportamento para garantir segurança e conforto durante o repouso.

Essa pesquisa adiciona uma peça importante ao quebra-cabeça da biologia marinha e evidencia a criatividade evolutiva dos oceanos. Compreender como baleias-cachalote dormem não é apenas uma curiosidade científica: lança luz sobre a complexidade da vida marinha e reforça a importância de proteger esses animais extraordinários. Cada descoberta sobre seu comportamento nos aproxima de uma apreciação mais profunda da natureza e da necessidade de preservar os ecossistemas marinhos para futuras gerações.

Fonte: Good News Network ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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