Tecnologia do Bem

Lentes de contato que se autorreparam com luz solar são desenvolvidas na Coreia do Sul

Pesquisadores coreanos criam lentes que reparam arranhões sozinhas em menos de uma hora com exposição à luz ultravioleta.

04 de agosto de 2026

Lentes de contato que se autorreparam com luz solar são desenvolvidas na Coreia do Sul
Foto: scottbb (BY-SA) via Openverse

Um avanço promissor na tecnologia de visão acaba de chegar dos laboratórios da Coreia do Sul. Cientistas conseguiram desenvolver lentes de contato capazes de se autorepararem quando expostas à luz solar, revolucionando a forma como milhões de pessoas no mundo lidam com um problema cotidiano: lentes danificadas e caras de substituir.

O grande diferencial dessa inovação está na sua simplicidade e praticidade. Quando uma lente de contato convencional sofre arranhões, geralmente significa um gasto considerável com a compra de uma nova. Mas essa tecnologia muda o jogo: o material à base de hidrogel, ativado por luz ultravioleta, consegue reparar pequenas imperfeições na superfície em menos de uma hora. Além disso, o revestimento antibacteriano e a resistência aumentada transformam essas lentes em um produto muito mais durável e robusto que as versões comerciais atuais.

Os pesquisadores Jung-Hyun Choi e Byung-Ki Cho começaram com um hidrogel já amplamente utilizado em lentes, mas redesenharam sua estrutura polimérica de forma inovadora. O segredo está em um processo chamado troca de dissulfeto: quando a lente é exposta a luz ultravioleta em um comprimento de onda específico (365 nanômetros), as ligações de enxofre no gel se rompem temporariamente e se reconectam com átomos vizinhos, essencialmente “costurando” o arranhão. Imagens antes e depois divulgadas no estudo mostram claramente como essas novas conexões restauram a superfície da lente.

O que torna essa descoberta ainda mais acessível é a possibilidade de reparar as lentes em casa. Os criadores explicam que, no futuro, o procedimento poderá ser feito usando luz ultravioleta de dispositivos comuns, como aqueles usados para secar esmalte de unhas ou lâmpadas para plantas de interior. Essa democratização do processo torna a tecnologia viável para o uso generalizado, sem depender de serviços técnicos especializados.

Os testes de durabilidade foram impressionantes. O revestimento polimérico adicional aplicado sobre o hidrogel resistiu à abrasão mesmo após contato repetido com materiais ásperos, como lixa. A lente também reter melhor a umidade em comparação com as lentes comerciais disponíveis hoje no mercado. Mais importante ainda, os arranhões reparados obtiveram uma nota de perceptibilidade de apenas 2%, o que significa que múltiplos arranhões poderiam ser corrigidos e tolerados antes de a lente precisar ser substituída por questões de transparência.

Antes de chegar às prateleiras, o produto ainda precisa passar por testes adicionais para obter a aprovação regulatória da Coreia do Sul e, posteriormente, testes de mercado. O estudo foi financiado em parte pela Fundação Nacional de Pesquisa da Coreia do Sul e publicado na revista ACS Applied Polymer Materials, conferindo credibilidade científica à descoberta. Uma vez aprovada, essa tecnologia tem potencial para reduzir significativamente o desperdício gerado pela substituição frequente de lentes e tornar mais acessível o uso de lentes de contato para milhões de pessoas em todo o mundo.

Fonte: Good News Network ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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