Lentes de contato que se autorreparam com luz solar são desenvolvidas na Coreia do Sul
Pesquisadores coreanos criam lentes que reparam arranhões sozinhas em menos de uma hora com exposição à luz ultravioleta.

Um avanço promissor na tecnologia de visão acaba de chegar dos laboratórios da Coreia do Sul. Cientistas conseguiram desenvolver lentes de contato capazes de se autorepararem quando expostas à luz solar, revolucionando a forma como milhões de pessoas no mundo lidam com um problema cotidiano: lentes danificadas e caras de substituir.
O grande diferencial dessa inovação está na sua simplicidade e praticidade. Quando uma lente de contato convencional sofre arranhões, geralmente significa um gasto considerável com a compra de uma nova. Mas essa tecnologia muda o jogo: o material à base de hidrogel, ativado por luz ultravioleta, consegue reparar pequenas imperfeições na superfície em menos de uma hora. Além disso, o revestimento antibacteriano e a resistência aumentada transformam essas lentes em um produto muito mais durável e robusto que as versões comerciais atuais.
Os pesquisadores Jung-Hyun Choi e Byung-Ki Cho começaram com um hidrogel já amplamente utilizado em lentes, mas redesenharam sua estrutura polimérica de forma inovadora. O segredo está em um processo chamado troca de dissulfeto: quando a lente é exposta a luz ultravioleta em um comprimento de onda específico (365 nanômetros), as ligações de enxofre no gel se rompem temporariamente e se reconectam com átomos vizinhos, essencialmente “costurando” o arranhão. Imagens antes e depois divulgadas no estudo mostram claramente como essas novas conexões restauram a superfície da lente.
O que torna essa descoberta ainda mais acessível é a possibilidade de reparar as lentes em casa. Os criadores explicam que, no futuro, o procedimento poderá ser feito usando luz ultravioleta de dispositivos comuns, como aqueles usados para secar esmalte de unhas ou lâmpadas para plantas de interior. Essa democratização do processo torna a tecnologia viável para o uso generalizado, sem depender de serviços técnicos especializados.
Os testes de durabilidade foram impressionantes. O revestimento polimérico adicional aplicado sobre o hidrogel resistiu à abrasão mesmo após contato repetido com materiais ásperos, como lixa. A lente também reter melhor a umidade em comparação com as lentes comerciais disponíveis hoje no mercado. Mais importante ainda, os arranhões reparados obtiveram uma nota de perceptibilidade de apenas 2%, o que significa que múltiplos arranhões poderiam ser corrigidos e tolerados antes de a lente precisar ser substituída por questões de transparência.
Antes de chegar às prateleiras, o produto ainda precisa passar por testes adicionais para obter a aprovação regulatória da Coreia do Sul e, posteriormente, testes de mercado. O estudo foi financiado em parte pela Fundação Nacional de Pesquisa da Coreia do Sul e publicado na revista ACS Applied Polymer Materials, conferindo credibilidade científica à descoberta. Uma vez aprovada, essa tecnologia tem potencial para reduzir significativamente o desperdício gerado pela substituição frequente de lentes e tornar mais acessível o uso de lentes de contato para milhões de pessoas em todo o mundo.