Lince-ibérico deixa de ser espécie em perigo após uma das maiores recuperações felinas do mundo
De 62 adultos em 2001 para mais de 2 mil animais, o felino mais ameaçado da Europa muda de status na Lista Vermelha.
O lince-ibérico, felino de orelhas pontudas que habita a Península Ibérica, protagoniza uma das reviravoltas mais celebradas da conservação mundial. Em junho de 2024, a União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou que o animal saiu da categoria “em perigo” e passou a ser classificado apenas como “vulnerável” na sua Lista Vermelha, sinal de que o risco imediato de extinção diminuiu de forma significativa.
Os números por trás dessa mudança são impressionantes. No início dos anos 2000, restavam pouquíssimos exemplares reprodutores: cerca de 62 adultos em 2001, o que colocava a espécie a um passo do desaparecimento. Duas décadas depois, esse contingente saltou para mais de 640 adultos, e a população total, somando filhotes e jovens, já ultrapassa 2 mil indivíduos espalhados por Espanha e Portugal.
O território ocupado pelo felino também se expandiu enormemente. A área habitada passou de cerca de 449 quilômetros quadrados, em 2005, para mais de 3.300 quilômetros quadrados atualmente, reflexo de um esforço coordenado para devolver espaço e condições de vida ao animal.
Esse renascimento não foi obra do acaso. As ações incluíram a recuperação das populações de coelho-bravo, a principal presa do lince, além da proteção e restauração de matas e da vegetação mediterrânea. Programas de reprodução em cativeiro e reintrodução colocaram mais de 400 animais de volta à natureza desde 2010, enquanto medidas de segurança nas estradas ajudaram a reduzir mortes por atropelamento.
Os especialistas alertam que o trabalho não terminou, já que doenças que afetam os coelhos e as mudanças climáticas ainda representam desafios. Mesmo assim, a trajetória do lince-ibérico é vista como uma prova poderosa de que a colaboração entre países, cientistas e comunidades pode reverter até os cenários mais sombrios, e há esperança de que a espécie alcance a plena recuperação nas próximas gerações.
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