Meio Ambiente

De bioma devastado a modelo global: a virada da restauração na Mata Atlântica

Iniciativas de recuperação com espécies nativas transformam o bioma em referência mundial de restauração florestal.

21 de fevereiro de 2026

Durante muito tempo, a Mata Atlântica foi lembrada apenas como o retrato da destruição ambiental brasileira. Originalmente, o bioma cobria cerca de 130 milhões de hectares ao longo da costa, mas hoje restam apenas 24% dessa vegetação, e somente uma parte é formada por florestas maduras e bem preservadas. Agora, porém, a história começa a ganhar um capítulo mais esperançoso: o de bioma-referência em restauração florestal.

Uma das frentes desse movimento vem da inovação científica. A empresa brasileira Symbiosis conseguiu recuperar mil hectares de floresta usando seleção genética de 45 espécies nativas. Com o mapeamento genético, foi possível reduzir em até 50% o tempo de crescimento das mudas e criar florestas mais produtivas e resistentes aos efeitos das mudanças climáticas, acelerando um processo que costuma levar muitos anos.

O esforço isolado de uma empresa, contudo, não explica sozinho a virada. O grande articulador é o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que reúne iniciativa privada, governos e organizações da sociedade civil em torno de uma meta ambiciosa: recuperar 15 milhões de hectares até 2050. Esse modelo de colaboração ampla tem se mostrado eficaz para destravar projetos de recuperação em larga escala.

A própria natureza também tem colaborado. Entre 1993 e 2022, cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural, uma área maior que o estado do Rio de Janeiro. Isso mostra que, quando a pressão sobre a floresta diminui e há apoio adequado, a vegetação nativa tem grande capacidade de voltar a crescer.

O reconhecimento internacional confirma a mudança de patamar. A Mata Atlântica foi apontada como uma das primeiras experiências-modelo para a restauração ambiental no mundo, figurando entre os dez primeiros exemplos a serem replicados em escala global. Além do ganho ecológico, a restauração gera oportunidades econômicas, com estimativa de um novo emprego a cada área equivalente a dois campos de futebol recuperados, unindo conservação e desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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