Ciência

Mergulhador belga descobre garrafa de Guinness de 1864 em navio histórico naufragado

Uma garrafa de cerveja Guinness com 162 anos foi resgatada de um navio que afundou há séculos perto da costa britânica, abrindo portas para pesquisa científica inédita.

07 de agosto de 2026

Mergulhador belga descobre garrafa de Guinness de 1864 em navio histórico naufragado
Foto: U.S. Army Combat Capabilities Development Command (BY-SA) via Openverse

Uma descoberta extraordinária nas profundezas do Canal da Mancha promete reescrever a história da cervejaria Guinness e da arqueologia subaquática. Um mergulhador belga conseguiu trazer à tona uma garrafa de cerveja intacta, com mais de 160 anos de idade, encontrada no leito marinho próximo a Dover, na Inglaterra. O achado despertou o interesse não apenas da histórica cervejaria irlandesa, mas também de pesquisadores de uma universidade europeia que veem na garrafa uma oportunidade científica única.

Stef Panis, o mergulhador responsável pela descoberta, vinha explorando os destroços do mesmo navio há mais de uma década. Ele havia identificado anteriormente a embarcação como sendo o Mindoro, um navio de vela com casco de madeira, através da placa de identificação encontrada entre os escombros submersos. O Mindoro havia naufragado após colidir com outra embarcação, um evento trágico que ocorreu há séculos e que hoje oferece aos pesquisadores um capítulo preservado de um período histórico distante.

A garrafa de Guinness em questão foi fabricada em Dublin e engarrafada em Londres em 1864, durante a era vitoriana. Panis notou alguns frascos pouco profundos no leito arenoso durante um mergulho no ano anterior, mas inicialmente não deu muita importância à descoberta. Foi somente quando um colega mergulhador o alertou sobre a possível importância histórica dos objetos que a equipe decidiu investigar mais profundamente. O exame revelou que se tratava de uma peça rara: uma garrafa de cerveja praticamente intacta, com mais de 16 décadas de idade, perfeitamente preservada pelas condições anóxicas do fundo do mar.

A importância científica da descoberta vai muito além do valor histórico ou colecionador. A cervejaria Guinness manifestou interesse em estudar a garrafa, reconhecendo seu valor como artefato corporativo e documento de suas práticas de produção no século XIX. Porém, foi a Universidade de Leuven, na Bélgica, que propôs uma aplicação de pesquisa particularmente inovadora. O professor Verstrepen, especialista em microbiologia e genética de leveduras, enxerga na garrafa uma oportunidade de extrair e analisar o DNA das bactérias e leveduras selvagens que ainda podem estar presentes na bebida original. Seu objetivo ambicioso é não apenas documentar cientificamente os microrganismos da época, mas potencialmente recriar a cerveja original mediante técnicas de fermentação histórica.

No entanto, a recuperação de outras garrafas que possam estar no mesmo local apresenta desafios significativos. Panis explica que as condições do mergulho no Canal da Mancha são extremamente variáveis e imprevisíveis. Há apenas uma semana, ventos de leste causaram uma ressuspensão de partículas de giz das falésias adjacentes, reduzindo a visibilidade subaquática a poucos centímetros. O mergulhador descreve o cenário como praticamente impossível para qualquer busca sistemática. Além disso, as fortes correntes que caracterizam aquela região do Canal da Mancha continuamente redistribuem o material do leito marinho, enterrando objetos sob espessas camadas de areia.

Apesar das dificuldades, Panis permanece otimista e planeja realizar novos mergulhos assim que as condições meteorológicas e marinhas melhorarem, o que ele espera que ocorra ainda neste mês. Sua persistência já demonstrou resultados notáveis: uma única garrafa foi o suficiente para gerar interesse acadêmico e corporativo considerável. Se conseguir recuperar mais exemplares, a pesquisa multidisciplinar envolvendo empresas, universidades e arqueólogos marinhos poderá se expandir significativamente.

Esta descoberta ilustra como o patrimônio histórico submarino continua oferecendo surpresas e oportunidades para o conhecimento científico. Uma garrafa perdida em um navio há mais de um século não é apenas um artefato do passado, mas um portal para compreender técnicas de fabricação, composição microbiana e até mesmo o cotidiano do século XIX. O caso também evidencia a importância da persistência e da curiosidade de amadores dedicados: foi a determinação de um mergulhador belga que revelou um segredo guardado pelas águas britânicas há gerações, abrindo caminho para pesquisas que poderão gerar conhecimento valioso sobre história, microbiologia e patrimônio cultural.

Fonte: NOS ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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