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Alemanha vincula salários de executivos da estatal de trens a metas de pontualidade

Novo ministro dos Transportes propõe cortar bônus de gestores quando ferrovia não cumpre prazos, ganhando apoio de múltiplos partidos.

09 de agosto de 2026

Alemanha vincula salários de executivos da estatal de trens a metas de pontualidade
Foto: US Army Africa (BY) via Openverse

O novo ministro dos Transportes da Alemanha, Steffen Bilger, apresentou uma proposta que busca aumentar a pressão sobre a Deutsche Bahn para melhorar seu desempenho operacional: vincular os bônus pagos aos executivos da empresa estatal aos resultados de pontualidade alcançados. A ideia ganhou apoio rápido e transversal no parlamento alemão, sinalizando uma virada no modo como o governo pretende cobrar melhorias da ferrovia nacional.

Atualmente, a Deutsche Bahn enfrenta graves problemas de atraso e cancelamentos. Em janeiro de 2026, apenas metade de todos os trens de longa distância chegaram no horário. Durante 2025, o sistema conseguiu apenas 60% de pontualidade no transporte de passageiros de longa distância, ficando bem abaixo das metas estabelecidas. Apesar desse desempenho ruim, a empresa continuou pagando bônus substanciais: os executivos receberam aproximadamente 3 milhões de euros em 2025, com o ex-presidente do conselho Richard Lutz levando sozinho 570 mil euros em compensações variáveis.

O mecanismo atual de cálculo de bônus da ferrovia é considerado lenient demais. Segundo investigações jornalísticas, a empresa só começa a pagar bônus aos gestores quando atinge 65% de pontualidade no transporte de passageiros de longa distância — um patamar muito abaixo do esperado por usuários e especialistas. Quando a meta de 67,5% é atingida, considera-se que os objetivos foram 100% cumpridos, e a partir de 70% de pontualidade a empresa chega a pagar 150% do bônus contratado. Esse sistema de metas baixas e recompensas generosas gerou crescente indignação pública.

A proposta de Bilger encontrou apoio em diferentes espectros políticos. Isabell Cademartori, da bancada do Partido Social-Democrata na comissão de transportes, elogiou explicitamente o plano, lembrando que o governo investe recordes em infraestrutura ferroviária e espera retorno em confiabilidade. Os Verdes também aprovaram a ideia em princípio, embora tenham alertado que a raiz do problema está em décadas de subinvestimento federal em trilhos e infraestrutura. Steffen Schütz, ministro de infraestrutura de Turingia, foi além: comparou os critérios da Deutsche Bahn com sua experiência empresarial anterior, quando recebia bônus apenas se atingisse 100% das metas — não o que a ferrovia pratica.

O presidente de honra da associação de passageiros Pro Bahn, Karl-Peter Naumann, também respaldou a medida, ressalvando que o governo não deve apenas punir a empresa, mas também cumprir seu papel: fornecer financiamento adequado e supervisionar seu uso. Historicamente, tanto o investimento quanto a supervisão foram negligenciados. A análise mostra que em 2022, a Deutsche Bahn distribuiu pelo menos centenas de milhões de euros em bônus a funcionários apesar de desempenho histórico ruim em pontualidade e satisfação de clientes — critérios que receberam peso zero no cálculo, enquanto satisfação de colaboradores e inclusão de mulheres em postos de liderança foram priorizados.

A vinculação de remuneração variável a resultados concretos não é inteiramente nova: o antecessor de Bilger, Patrick Schnieder, já havia proposto algo similar em documentos estratégicos. Porém, a diferença está na execução e rigor. Bilger sinalizou que pretende resolver os problemas “gradualmente”, sugerindo uma abordagem mais estruturada e fiscalizada. A proposta envia uma mensagem clara: o governo está cansado de pagar bônus sem retorno real em qualidade de serviço.

A medida reflete uma mudança de postura: em vez de apenas investir dinheiro público, o governo quer assegurar que os incentivos estejam alinhados com o interesse público. Quando executivos ganham independentemente de desempenho, não há razão premente para melhorar. Ao amarrar remuneração a metas tangíveis de pontualidade, cria-se uma estrutura onde o sucesso gerencial é medido pelo que os passageiros realmente experimentam: trens que chegam na hora. Essa abordagem ganha tração porque é simples, justa e comprovadamente eficaz em outros setores.

O próximo passo será a implementação: quanto mais rigorosas forem as metas e quanto mais severas as consequências financeiras por não atingi-las, maior será o efeito. A aprovação política transversal sugere que essa mudança deve avançar. Para os milhões de usuários da ferrovia alemã, é uma sinalização de que o governo está ouvindo suas frustrações e agindo para realinhá-las com a compensação gerencial.

Fonte: Tagesschau ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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