Meio Ambiente

Movimento pela moda sustentável ganha força com campanha de roupas de segunda mão

Pesquisa mostra que 57% dos britânicos está reduzindo consumo de roupas; campanha anual incentiva compra de peças usadas e circulação consciente de guarda-roupas.

03 de setembro de 2026

Movimento pela moda sustentável ganha força com campanha de roupas de segunda mão
Foto: davidgsteadman (PDM) via Openverse

Um movimento crescente de consumo mais consciente de moda está ganhando espaço no Reino Unido, impulsionado pela tradicional Campanha de Setembro de Segunda Mão da Oxfam. O ator Richard E. Grant, famoso por seu papel clássico em “Withnail and I”, tornou-se o rosto desta iniciativa anual, que convida as pessoas a comprarem roupas usadas, doarem peças que não usam mais e manter seus guarda-roupas em circulação por mais tempo. Uma pesquisa recente realizada pela Oxfam com mais de três mil adultos britânicos revelou que 57% deles tentaram deliberadamente comprar menos roupas ao longo do ano passado — um número que demonstra consciência crescente sobre consumo e um repensar da relação com a moda e seu impacto ambiental.

Grant traz uma perspectiva fascinante sobre o valor das roupas de segunda mão. Ele revelou que um casaco Burberry comprado em uma loja Oxfam foi determinante em sua carreira. Em 1986, encharcado pela chuva e vestindo aquele casaco de segunda mão, chegou ao teste para o papel que o tornaria famoso — acertando em cheio o visual do personagem sem planejar. Essa história pessoal humaniza a campanha e mostra que roupas de segunda mão não são apenas alternativas sustentáveis, mas podem ter histórias e significados profundos.

Os dados revelam, porém, que ainda há um longo caminho a percorrer. Quase um terço das peças em um guarda-roupa médio no Reino Unido não foi usado no ano anterior, e quatro em cada dez pessoas admitiram ter vestido uma peça apenas uma única vez. Uma em cada cinco pessoas continua jogando roupas indesejadas fora em vez de doá-las, consertá-las ou revendê-las. O impacto ambiental é significativo: a Oxfam estima que a água utilizada para produzir as roupas paradas nos guarda-roupas britânicos seria suficiente para fornecer água potável a um milhão de pessoas por toda uma vida.

Desde seu lançamento em 2019, o mercado de moda usada tornou-se cada vez mais mainstream. Plataformas de revenda online explodiram em popularidade, estabelecimentos de vintage proliferaram, e as lojas de caridade — como as mais de 500 lojas da Oxfam no Reino Unido — tornaram-se destinos legítimos de compras. Essa normalização da moda de segunda mão é crucial, pois remove o estigma que ainda rodeia a compra de roupas usadas em muitas culturas. Grant enfatiza que comprar menos não significa desfrutar menos da moda: ele próprio usa peças que possui há décadas, combinadas com itens com histórico e durabilidade. O estilo autêntico nasce da qualidade e da narrativa, não da quantidade.

Essa campanha chega em um momento crucial, quando o setor de moda global enfrenta pressão crescente sobre suas práticas ambientais e sociais. Para o leitor brasileiro, a mensagem é igualmente relevante: mesmo em contextos econômicos diferentes, consumir de forma mais consciente, valorizar peças duráveis e encontrar estilo em objetos com história pode transformar tanto o guarda-roupa quanto o impacto ambiental pessoal. A moda sustentável não é apenas uma tendência passageira, mas uma mudança fundamental em como vemos, compramos e usamos roupas.

Fonte: Positive News ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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