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Músicos transformam sons de morcegos em eletrônico e mudam a percepção sobre esses animais

Artistas criam álbum que converte chamadas de ecolocalização de morcegos em batidas de club, revelando a beleza oculta desses mamíferos incompreendidos.

03 de agosto de 2026

Músicos transformam sons de morcegos em eletrônico e mudam a percepção sobre esses animais
Foto: GlacierNPS (PDM) via Openverse

Uma colaboração criativa entre os artistas Hanna Tuulikki e Tommy Perman resultou em algo inusitado: um álbum completo de música eletrônica gerado inteiramente a partir dos sons que morcegos emitem para navegar no escuro. O projeto, batizado de “Echo in the Dark”, representa uma ponte fascinante entre o mundo natural e a produção musical contemporânea, convidando ouvintes a descobrir beleza em frequências que normalmente escapam ao alcance do ouvido humano.

Normalmente inaudíveis para os seres humanos, as chamadas de ecolocalização dos morcegos operam em frequências ultrassônicas. Os artistas utilizaram detectores especiais de morcego — equipamentos que convertem essas ondas sonoras em frequências audíveis — para tornar visível (ou melhor, audível) o que esses animais “falam” enquanto voam. O que emergiu dessa transformação foi surpreendente: cliques, zumbidos e padrões rítmicos que se assemelham notavelmente a elementos encontrados em faixas de música eletrônica e dance, como se a própria natureza tivesse sido programada para produzir batidas.

Tudo começou em 2022, quando uma instituição de artes na Escócia chamada Hospitalfield encomendou a Tuulikki um trabalho inspirado em morcegos. A instituição havia organizado caminhadas comunitárias para observar esses animais durante os confinamentos da pandemia, despertando fascínio pelo tema. Tuulikki propôs converter sons de ecolocalização em música de dança — uma ideia inovadora — e convidou Perman, reconhecido por misturar sons naturais com instrumentos eletrônicos, para colaborar. A resposta foi imediata e entusiasmada.

O duo passou a coletar gravações de morcegos através de chamadas abertas à comunidade e trabalhou junto ao Tayside Bat Group, um grupo de conservação local. No total, reuniram sons de treze das dezoito espécies de morcego encontradas no Reino Unido. Oito dessas espécies foram selecionadas para o álbum final, seus sons processados e transformados em melodias, texturas e batidas, entrelaçados com a voz de Tuulikki para criar o que os artistas descrevem como um espaço sonoro híbrido entre humano e morcego.

O que tornou o projeto ainda mais notável foi a diversidade acústica descoberta. Perman confessou ter inicialmente presumido que as diferentes espécies soariam parecidas, mas encontrou variações impressionantes. O morcego-ferradura-menor, por exemplo, produz chamadas que soam como melodias reverberantes que caberiam perfeitamente em uma faixa de dub — um gênero de música eletrônica experimental. Já o morcego-de-água cria ritmos sincopados complexos que lembram o trabalho de um baterista de jazz. Cada espécie revelou sua própria assinatura sonora, transformando o álbum em um mosaico de texturas naturais e ritmicamente sofisticadas.

A primeira encarnação do projeto tomou forma como festas silenciosas ao ar livre ao entardecer, onde o público dançava através de fones de ouvido enquanto morcegos reais sobrevoavam o espaço. Essa experiência imersiva foi posteriormente transformada em um álbum completo em vinil e formato digital, lançado em 28 de agosto através do selo independente KIN-TU, baseado em Glasgow. A decisão de expandir o projeto reflete a confiança dos artistas no potencial da obra de alcançar um público mais amplo.

Além de surpreender os ouvintes com sonoridades inesperadas, o álbum carrega uma mensagem de conservação. Morcegos são fundamentais para os ecossistemas globais, polinizando plantas e controlando populações de insetos, mas permanecem cercados por medos ancestrais e superstições. Uma pesquisa recente do Bat Conservation Trust revelou que 46% das pessoas no Reino Unido nutrem sentimentos negativos em relação a esses animais — um dado preocupante que motivou os artistas a criar algo capaz de transformar percepções. Em vez de apelar através de argumentos racionais ou palestras científicas, Perman e Tuulikki escolheram a linguagem universal da música de dança, um gênero que historicamente reúne pessoas, suspende julgamentos e cria momentos de conexão compartilhada.

O objetivo final é simples mas ambicioso: fazer com que alguém que nunca dedicou muito pensamento aos morcegos ouça o álbum e saia transformado. Perman expressa esperança de que a obra inspire ouvintes a sair à noite para escutar morcegos em seu ambiente natural ou a apoiar iniciativas de conservação. Se o projeto conseguir motivar mesmo um pequeno número de pessoas a reconhecer a importância e beleza desses mamíferos, os artistas consideram isso um resultado genuinamente positivo. O álbum “Echo in the Dark” prova que a criatividade e a ciência podem caminhar juntas, transformando o incompreendido em inspirador e o invisível em música que ressoa na alma.

Fonte: Positive News ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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