Nespresso investe em regeneração do solo e reflorestamento nas fazendas de café do Brasil
Empresa de café anuncia plantio de 98 mil árvores e programa de R$ 6 milhões para incentivar produtores a adotarem práticas regenerativas que aumentam produtividade e reduzem emissões.

A Nespresso deu um passo significativo na transformação da produção cafeeira brasileira ao anunciar um robusto investimento em agricultura regenerativa e reflorestamento. A empresa divulgou dados que comprovam que suas fazendas parceiras que adotam práticas regenerativas conseguem produzir 20% mais café durante períodos de seca e reduzem emissões de carbono em 25%. O Brasil, maior fornecedor de café para a marca (responsável por 30% do volume global), torna-se o laboratório vivo dessa estratégia de transformação ambiental e econômica.
Os números revelam uma mudança expressiva no setor. Em apenas três anos, o percentual de café comprado pela Nespresso no Brasil proveniente de fazendas regenerativas saltou de 84% para 95% em 2025. Globalmente, o crescimento foi igualmente impressionante: de 76% para 85% no mesmo período. O Brasil liderou essa curva de expansão, demonstrando que a transição para práticas mais sustentáveis é viável economicamente e ambientalmente benéfica.
Um monitoramento recente da empresa com mais de 240 fazendas revelou a magnitude dos impactos durante a seca de 2025. Enquanto a produtividade média caiu de 40 para 32 sacas por hectare, as fazendas mais regenerativas — aproximadamente 20% da base acompanhada — colheram 36 sacas por hectare, contra apenas 30 do restante dos produtores. A diferença reside no manejo do solo: as fazendas mais avançadas investem em solo vivo, com maior matéria orgânica e biodiversidade, utilizando 66% mais fertilizante orgânico, 10% mais plantas de cobertura e reduzindo herbicidas em 30%. Além disso, emitiram 25% menos dióxido de carbono por quilo de café produzido.
O caso da Fazenda Luciana, localizada no Cerrado Mineiro, exemplifica concretamente esses ganhos. A propriedade testou lado a lado seu manejo convencional com um programa de manejo biológico regenerativo durante duas safras consecutivas, obtendo 4,1% a mais de produtividade. O solo apresentou sinais claros de recuperação, com aumento de fungos benéficos e redução de nematoides prejudiciais. Os resultados tão positivos que a fazenda decidiu expandir o uso de biológicos para 100% de sua área de produção a partir de 2026, ilustrando como a viabilidade econômica e ambiental caminham juntas.
Para fortalecer essa transformação e reconhecer produtores comprometidos com o cuidado do solo, a Nespresso anunciou o Prêmio Regenerativo Avançado, destinando cerca de R$ 6 milhões em incentivos adicionais ao valor base pago aos cafeicultores. Esse programa complementa os investimentos anuais já feitos no trabalho de consultores técnicos nas aproximadamente 500 fazendas parceiras, totalizando mais de R$ 70 milhões injetados anualmente na cadeia produtiva brasileira de café. A empresa assumiu o papel de criar o incentivo financeiro e a curadoria técnica necessários para que produtores transformem suas práticas, uma vez que o mercado ainda não remunera diretamente o café regenerativo.
Em paralelo, a Nespresso anunciou o plantio de cerca de 98 mil mudas de árvores nativas em 11 fazendas parceiras, em cooperação com a PUR, organização internacional especializada em restauração de paisagens. A iniciativa começará pelo Cerrado Mineiro, primeira região brasileira a integrar um programa global de reflorestamento da organização. O objetivo é restaurar vegetação nativa em áreas adjacentes aos cafezais, fortalecendo a biodiversidade, regulando a disponibilidade hídrica e aumentando o armazenamento de carbono. Foram selecionadas 25 espécies nativas e três modelos de arborização, ajustados conforme a paisagem e objetivos de cada fazenda.
A parceria entre Nespresso e PUR já viabilizou o plantio de mais de 10 milhões de árvores em seis países. O modelo utiliza o conceito de insetting — gerar benefícios ambientais dentro da própria cadeia de origem — e acompanha o produtor em todas as etapas: planejamento, plantio, suporte técnico, treinamento e dois anos de manutenção das mudas, sem custos para o cafeicultor. A Nespresso vai incorporar indicadores de reflorestamento ao Prêmio Regenerativo Avançado, conectando diretamente os resultados da parceria ao reconhecimento financeiro dos produtores.
O contexto global dessa iniciativa ganha força com a exibição do documentário Groundswell, terceira parte de uma trilogia premiada no Globo de Ouro (que inclui Kiss the Ground e Common Ground), narrado por Demi Moore e Woody Harrelson. O filme ilustra como o cuidado com o solo combate mudanças climáticas e garante segurança alimentar, usando a trajetória de um cafeicultor colombiano parceiro de longa data da Nespresso como exemplo prático. A divulgação dos dados brasileiros alinha-se perfeitamente com essa discussão global sobre a importância do solo como reservatório de vida.
Essa transformação no Brasil reflete uma mudança de mentalidade no setor cafeeiro. Conforme explicou o gerente de café verde da Nespresso Brasil, o que começou com produtores visionários buscando dados para comprovar a viabilidade ambiental agora é adotado pela maioria, pois os pragmáticos viram os resultados reais. O modelo demonstra que é possível equilibrar produtividade, qualidade e sustentabilidade — oferecendo aos produtores tanto o conhecimento quanto o suporte econômico necessários para transformar suas fazendas. Com esses investimentos e reconhecimento financeiro, o Brasil consolida sua posição como protagonista de uma agricultura cafeeira mais regenerativa, resiliente e resiliente para as próximas gerações.