Superação

Observação de aves viraliza entre jovens e se torna um dos hobbies que mais crescem

Geração Z britânica redescobre a birdwatching e transforma passatempo centenário em hobby em explosão de crescimento.

10 de agosto de 2026

Observação de aves viraliza entre jovens e se torna um dos hobbies que mais crescem
Foto: US Army Africa (BY) via Openverse

A observação de aves está vivendo um renascimento inesperado entre os jovens britânicos. O que há décadas era considerado uma atividade típica de aposentados em impermeáveis ganhou novo impulso e se tornou um dos hobbies com maior expansão na faixa etária de 16 a 29 anos. Pesquisa realizada por Fifty5Blue e divulgada pela Real Sociedade para a Proteção de Aves (RSPB) revelou números surpreendentes: cerca de 750 mil jovens da Geração Z no Reino Unido agora praticam birdwatching regularmente, representando um crescimento espetacular de mais de 1.000% desde 2018. O hobby ocupa a segunda posição entre as atividades que mais crescem nesse segmento, ficando apenas atrás da confecção de joias.

Ben Smith, um jovem de 23 anos apaixonado por aves, exemplifica bem essa tendência. Para ele, um dia perfeito começa antes do amanhecer em trilhas locais perto de Loch Lomond, na Escócia, onde ele caminha com seus binóculos e uma garrafa térmica de chá. Smith registra meticulosamente cada ave que avista e tira fotografias quando consegue capturar uma espécie particularmente interessante. Sua paixão começou na infância, durante viagens com seu pai, motorista de van que trabalhava turnos noturnos em regiões rurais da Escócia. Acordar no interior do veículo e procurar por aves de rapina — pipas-vermelhas, peneireiros e falcões-peregrinos — se tornou uma memória que moldou sua vida adulta e o levou a estudar zoologia e ecologia na Universidade de Glasgow, onde atualmente cursa mestrado.

O fenômeno é muito mais amplo do que apenas entusiastas como Smith. Em toda a Grã-Bretanha, o número de pessoas que praticam birdwatching ultrapassou a marca de quatro milhões, crescimento de 47% nos últimos seis anos. Embora a Geração Z apresente o aumento mais dramático, millennials também abraçaram o hobby, com crescimento de 216%, assim como a Geração X, que registrou alta de 66%. Esses números indicam uma mudança cultural genuína em relação à conexão com o mundo natural.

Segundo Smith, parte desse entusiasmo entre sua geração é impulsionada pelo contexto de crise climática e perda de biodiversidade que marcou suas vidas. “Nossa existência inteira como jovens foi acompanhada pela mudança climática e pela crise de biodiversidade”, reflete. Essa realidade teria gerado uma reverência maior pelo mundo natural e uma busca por atividades que permitem observar e apreciar a vida selvagem. Influência familiar também desempenha papel importante — avós com conhecimento profundo sobre vocalizações de aves e apreciação pela natureza frequentemente inspira curiosidade nas gerações mais jovens.

A transformação também tem forte conexão com redes sociais. Plataformas que costumavam exibir principalmente moda e exercícios físicos agora transbordam de fotografia de aves, vídeos de identificação de espécies e registros de avistamentos. Essa exposição tornou o hobby menos intimidador, removendo sua reputação de atividade elitista ou repleta de jargão técnico, e conferiu-lhe até um certo status de coolness entre os jovens. Aplicativos como Merlin e iNaturalist democratizaram ainda mais o acesso ao hobby, permitindo que iniciantes identifiquem e registrem facilmente as aves que avistam sem precisar de conhecimento prévio ou equipamento sofisticado.

Mas Smith ressalta que nenhuma tecnologia substitui o aspecto social da atividade. Recentemente, quando amigos o visitaram em Loch Lomond, o grupo passou a noite remando em canoa enquanto ouvia o canto de maçaricos e ostra-negras sobrevoando a água. Para ele, esses momentos compartilhados entre pessoas são o coração real do hobby. “É essa conexão entre as pessoas que torna tudo especial”, afirma. “É contagiante — uma vez que você conhece alguém que gosta de observar aves, isso te pega. Você entra nesse mundo.”

Para quem pensa em começar, Smith oferece conselho prático e encorajador: não é necessário possuir equipamento caro ou até mesmo binóculos. A dica dele é simplesmente sair de casa e explorar as reservas da RSPB, muitas das quais agora oferecem acesso gratuito para jovens entre 16 e 24 anos. A comunidade de observadores de aves é acolhedora, com membros experientes sempre dispostos a ajudar iniciantes. “Fiz muitos amigos através da birdwatching”, conta. “Sempre há alguém pronto para orientar e compartilhar experiências.” Esse espírito colaborativo, combinado com a facilidade de acesso à informação e equipamentos acessíveis, promete manter o hobby em trajetória de crescimento nos próximos anos.

Fonte: Positive News ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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