Superação

Aos 64 anos, imigrante nigeriano se forma em enfermagem estudando na mesma universidade do filho

Pai de cinco filhos prova que nunca é tarde para recomeçar: graduou-se em enfermagem aos 64 anos, frequentando a mesma instituição onde seu filho estuda.

04 de agosto de 2026

Aos 64 anos, imigrante nigeriano se forma em enfermagem estudando na mesma universidade do filho
Foto: usembassykyiv (PDM) via Openverse

A história de John Adesoye é um testemunho vivo de que a idade não é barreira para transformações profundas e significativas. Aos 64 anos, o imigrante nigeriano conquistou seu diploma em enfermagem pela Universidade de West England, na Inglaterra, depois de completar um programa de associado em enfermagem e um aprendizado profissional de dois anos cada, ambos realizados sob a supervisão do Serviço Nacional de Saúde britânico em Bristol. Hoje, ele trabalha como enfermeiro no Hospital Southmead, exatamente onde finalizou seu período de treinamento prático.

Sua trajetória começou longe dos corredores de um hospital moderno. Adesoye cresceu em uma família de agricultores no interior da Nigéria, em condições humildes. Mesmo assim, seu espírito curioso o impulsionava a compreender o mundo ao seu redor. De maneira peculiar, ele se fascinou pelos mecanismos de um simples rádio da família — aquele objeto que despertava sua imaginação infantil. Essa curiosidade natural se transformaria, anos mais tarde, em uma sólida carreira: como técnico em eletrônica, trabalhou na Grécia antes de se mudar para o Reino Unido, onde levantaria novos planos de vida.

O que torna a jornada de John particularmente tocante é o detalhe de que, enquanto estudava, sua rotina académica frequentemente coincidiu com a do seu próprio filho, Daniel. Uma vez por semana, ambos frequentavam a mesma universidade — John cursando enfermagem e Daniel mergulhado em seus estudos de tecnologia musical criativa. Essa proximidade geográfica transformou a sala de aula em um espaço familiar, onde gerações aprendiam lado a lado. Para John, estar rodeado por uma coorte de estudantes jovens o fazia sentir-se revitalizado, lembrando que o aprendizado não respeita marcos etários.

Quando perguntado sobre sua determinação, Adesoye não hesitou em compartilhar sua perspectiva com segurança e esperança. “Eu realmente não acreditava que seria possível entrar numa universidade”, refletiu em uma declaração. Mas, acrescentou com convicção, sua paixão pelo aprendizado era inegociável. Aquela mesma curiosidade que o perseguia desde a infância — quando explorava o funcionamento de um rádio — reapareceu quando surgiu a oportunidade de estudar no ensino superior. Ele não a deixou passar.

Sua mensagem final é um convite direto àqueles que temem estar “muito velhos” para recomeçar: “Não ouçam quem diz que você é velho demais para a universidade. Se eu consegui, outros também conseguem.” Essa afirmação não é apenas otimismo vazio, mas uma constatação baseada em vivência real. Adesoye estava convicto de que as pessoas subestimam sua própria capacidade intelectual e emocional. “As pessoas são mais brilhantes e mais fortes do que imaginam”, afirmou, resumindo uma lição que sua própria vida exemplifica com clareza.

A história de John Adesoye se insere em um padrão crescente de adultos que voltam aos estudos em fases avançadas da vida. Não é um caso isolado nem uma anomalia: há décadas, universidades e instituições de ensino testemunham o retorno de aprendizes maduros em busca de formação acadêmica. O que suas narrativas compartilham é uma resistência contra a ideia de que o tempo passa e as oportunidades se fecham. Ao contrário, esses indivíduos demonstram que novas portas se abrem quando há determinação, apoio institucional e uma comunidade disposta a acolher a diversidade de idades.

Para muitos leitores brasileiros, a jornada de John traz uma ressonância particular. O Brasil, como país marcado por desigualdades sociais e por uma população que frequentemente enfrenta barreiras educacionais, pode ver em sua história um espelho esperançoso. Ele migrou de um contexto de pobreza rural, trabalhou como técnico em outro país e, ainda assim, não abandonou o sonho de aprender e se reinventar profissionalmente. Sua decisão de abraçar a enfermagem — uma carreira de cuidado, essencial em qualquer sociedade — mostra que nunca é cedo nem tarde para escolher uma profissão que agregue sentido à vida e beneficie outras pessoas.

Ao se formar, Adesoye não apenas completou um diploma; consolidou uma lição que transcende a educação formal. Ele demonstrou que a idade é apenas um número quando a vontade é genuína, quando há apoio (seu filho estudando na mesma universidade certamente ajudou), e quando as instituições abrem espaço para histórias como a sua. Sua presença nas enfermarias de Bristol, cuidando de pacientes, é o coroamento de uma jornada que começou numa fazenda nigeriana e que, muito certamente, continuará inspirando quantos o conhecerem.

Fonte: Good News Network ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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