Meio Ambiente

Cientista britânico usa plástico oceânico para tornar redes de pesca detectáveis por golfinhos

Pesquisador cria solução simples e barata: garrafas plásticas presas a redes de pesca que funcionam como ecos para a ecolocalização dos golfinhos.

30 de julho de 2026

Cientista britânico usa plástico oceânico para tornar redes de pesca detectáveis por golfinhos
Foto: Authors of the study: Marcus Eriksen, Win Cowger, Lisa M. Erdle, Scott Coffin, Patricia Villarrubia-Gómez, Charles J. Moore, Edward J. Carpenter, Robert H. Day, Martin Thiel, Chris Wilcox (BY) via Openverse

Um problema que tem atormentado conservacionistas marinhos há anos está começando a ganhar uma resposta inesperada: garrafas plásticas. Quando presas a redes de pesca, essas garrafas vazias conseguem fazer o que a tecnologia mais sofisticada não conseguiu — ajudar golfinhos e botos a detectar armadilhas invisíveis que matam milhares deles anualmente. A solução vem de Per Berggren, professor da Universidade de Newcastle, que transformou um problema ambiental crônico em uma estratégia de resgate animal elegantemente simples.

O desafio é bem concreto. As redes de pesca, conhecidas como redes de emalhar, são feitas de malha de nylon quase invisível na água. Para os golfinhos, que dependem da ecolocalização para navegar e caçar, essa invisibilidade é mortal. Quando emitem seus cliques de echolocalização, as ondas sonoras não ecoam de forma detectável na malha fina de nylon, pois o material é muito esparso e tem uma densidade acústica muito próxima à da água. Ou os golfinhos não recebem qualquer retorno do sonar, ou recebem um sinal tão fraco que não reconhecem como ameaça — e nadam direto para a morte. Globalmente, cerca de mil porcos-marinhos e centenas de golfinhos, incluindo 250 golfinhos-comuns, morrem presos em redes de pesca apenas nas águas britânicas por ano, segundo a organização Whale and Dolphin Conservation. Em escala mundial, o bycatch (captura acidental) é uma das principais causas de morte entre cetáceos.

A genialidade de Berggren foi reconhecer essa lacuna específica e fazer uma pergunta desarmantemente simples: e se você desse à rede algo que de fato produzisse um eco? Sua resposta foi amarrar garrafas plásticas vazias às malhas. A física por trás é elegante. Uma garrafa plástica vazia contém uma bolsa de ar, e o ar reflete o som de forma totalmente diferente da água. Quando um clique de ecolocalização de um golfinho bate em uma garrafa cheia de ar, o retorno é muito mais forte do que o mesmo clique refletindo em malha de nylon. O golfinho recebe um sinal claro que pode processar e evitar. Berggren também testou garrafas de vidro contendo parafusos metálicos, que geram sons de tinir ao se mover com a água — oferecendo aos golfinhos uma deixa sonora adicional além da ecolocalização.

Para testar se a ideia funcionava na prática, a equipe realizou dois estudos abrangentes envolvendo mais de 1.600 redes de pesca em três regiões estratégicas: Zanzibar, Peru e Brasil. Os resultados foram publicados nas revistas científicas Fisheries Research e Marine Mammal Science. Os achados revelaram nuances interessantes. No Peru, onde as redes são colocadas perto da superfície, as garrafas não reduziram o número de golfinhos, botos e tartarugas capturados — mas aumentaram a captura dos peixes-alvo e também a de tubarões. Nas outras regiões, porém, a abordagem mostrou promessas maiores.

Apesar dos resultados menos conclusivos em uma das localidades, Berggren mantém uma avaliação geral positiva. O aspecto mais revolucionário da solução não é apenas sua eficácia em certos cenários, mas sua viabilidade em escala global. As garrafas são presas facilmente às redes existentes, não exigem qualquer infraestrutura, equipamento novo ou conhecimento especializado. Mais importante: podem vir de plástico descartado, transformando lixo em proteção animal. O custo é praticamente zero — algo que literalmente todo pescador do mundo pode bancar.

Há também uma dimensão ambiental particularmente satisfatória nessa solução. Em vez de enviar mais plástico para os oceanos, o método reusa resíduos que já estão no fluxo de descarte. Berggren ressalta que durante os testes, as garrafas permaneceram seguramente presas às redes e nenhuma peça de plástico acabou no oceano — um risco óbvio que poderia ter minado toda a proposta. “Isso é genuinamente reciclagem que resgata golfinhos”, afirma o pesquisador. A solução trabalha dentro de realidades práticas: custos mínimos, materiais que pescadores já acessam em fluxos de resíduos, nenhum equipamento novo necessário.

Para um problema que tem desafiado cientistas e ativistas marinhos durante anos, essa combinação é notável. Não é uma resposta perfeita em 100% dos contextos, mas é uma resposta funcional, acessível e escalável que começou a salvar vidas marinhas. Conforme o conhecimento sobre essa técnica se espalha entre comunidades de pesca no mundo, existe potencial real de reduzir drasticamente o número de cetáceos mortos anualmente em redes acidentais — usando algo que já estava sendo jogado fora.

Fonte: Optimist Daily ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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