Semana traz avanços em saúde, clima e sustentabilidade ao redor do mundo
IA detecta doenças cardíacas em segundos, França freia moda ultrarrápida, e Timor-Leste erradica cegueira infecciosa.

A inteligência artificial continua provando sua capacidade de revolucionar a medicina. Pesquisadores da Imperial College London desenvolveram um software capaz de identificar doenças cardíacas em apenas dez segundos através da análise de eletrocardiogramas, com uma precisão que supera a dos cardiologistas mais experientes. O sistema consegue detectar padrões nos dados elétricos do coração que o olho humano, por mais treinado que seja, não consegue enxergar.
Em um estudo envolvendo 67 mil pacientes, a ferramenta alcançou uma taxa de acerto impressionante: identificou corretamente 81% dos casos de insuficiência cardíaca e 90% das doenças nas válvulas do coração. Os resultados foram apresentados no congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia em Munique, gerando entusiasmo entre especialistas. Para pacientes, isso representa uma mudança dramática: muitos esperam meses por exames mais detalhados que poderiam confirmar diagnósticos. Com essa nova ferramenta, o tempo perdido na espera por tratamento pode ser drasticamente reduzido, potencialmente salvando vidas. Também no Reino Unido, um novo teste de urina chamado Galeas identificou corretamente 92% dos casos de câncer de bexiga em ensaio clínico com quase mil pacientes. O grande benefício é que ele pode ser feito em casa e evita procedimentos invasivos, além de reduzir a sobrecarga dos sistemas de saúde.
No continente asiático, Timor-Leste foi oficialmente validado pela Organização Mundial da Saúde como tendo eliminado a tracoma, uma doença infecciosa que é a principal causa evitável de cegueira no mundo. O país se tornou o último da região do Sudeste Asiático a alcançar esse feito. A tracoma é transmitida por contato com dedos contaminados ou por moscas, e historicamente afetou principalmente regiões com saneamento precário. A eliminação foi possível graças a melhorias na infraestrutura sanitária, diagnósticos mais rápidos e distribuição acelerada de antibióticos.
Na frente climática, houve progresso significativo no combate às emissões de metano. O Turcomenistão, um dos maiores emissores de metano do mundo, começou a selar oito vazamentos importantes em suas instalações de petróleo e gás. Embora possa parecer um número pequeno, especialistas da ONU descrevem a ação como um “passo extraordinário”. O país havia recebido 192 alertas sobre vazamentos através de um sistema de monitoramento por satélite e respondeu a 20% deles com planos de reparo — uma taxa bem superior à dos Estados Unidos, que recebeu 138 alertas e não respondeu a nenhum. Consertar vazamentos de metano é uma das soluções climáticas mais diretas e eficientes disponíveis.
Na Europa, a França iniciou uma nova tendência ao impor taxas sobre roupas que não atendem a padrões ambientais, visando combater o impacto da moda ultrarrápida. As taxas variam de acordo com o tipo de peça — desde 50 centavos de euro para roupas íntimas até 12 euros para um casaco — e são limitadas a 50% do preço de venda. A determinação leva em conta volume de produtos, preço e possibilidade de reparo. Essa iniciativa francesa se alinha com outras ações europeias, como as novas regras da União Europeia que proíbem a destruição de roupas não vendidas.
Por fim, na China, a transição energética atingiu um marco simbólico: painéis solares ultrapassaram usinas de carvão como principal fonte de capacidade de geração de energia do país. Dados divulgados em julho mostraram que a China tinha 1.288 gigawatts de capacidade solar contra 1.285 gigawatts de carvão — um primeiro histórico. Embora a energia solar tenha superado o carvão em capacidade instalada, há uma ressalva: os painéis não funcionam à noite. No primeiro semestre de 2024, energia eólica e solar combinadas atenderam a 24,6% das necessidades de eletricidade do país, enquanto o carvão forneceu 49,7%. Mesmo assim, a mudança na capacidade instalada representa um ponto de inflexão importante na caminhada global rumo a fontes de energia mais limpas.