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Tartaruga-verde sai da lista de espécies ameaçadas após décadas de proteção bem-sucedida

Após 50 anos de esforços de conservação, a tartaruga-verde deixa a categoria de espécie em perigo, com população 28% maior desde os anos 1970.

17 de outubro de 2025

Tartaruga-verde sai da lista de espécies ameaçadas após décadas de proteção bem-sucedida
Foto: allie444 (BY-SA) via Openverse

A tartaruga-verde, encontrada em oceanos de todo o mundo, conquistou uma vitória significativa na luta pela sua sobrevivência: a espécie foi reclassificada de “em perigo” para “pouco preocupante” na mais recente avaliação da Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). A notícia marca um marco raro em biologia de conservação — o reconhecimento de que proteção ambiental rigorosa e bem planejada realmente funciona.

O histórico dessa espécie é marcado por décadas de declínio provocado pela ação humana. Durante séculos, tartarugas-verdes foram caçadas intensivamente por sua carne e ovos, reduzindo suas populações a níveis críticos. Mesmo após a caça diminuir, os problemas persistiram: as redes de pesca continuavam capturando indivíduos, as praias de desova sofriam degradação acelerada, a poluição oceânica aumentava, doenças afetavam a espécie e as mudanças climáticas alteravam seus habitats. Tudo isso criava um cenário de incerteza sobre o futuro da espécie.

O que mudou foi o comprometimento global com a conservação. A população total de tartarugas-verdes cresceu aproximadamente 28% desde a década de 1970 — um período que corresponde ao início de proteções legais internacionais contra o comércio e a caça direta. Além disso, medidas práticas como a proteção de praias de nidificação e a adoção de dispositivos que evitam o aprisionamento das tartarugas em redes de pesca contribuíram decisivamente para esse aumento. Brendan Godley, especialista em tartarugas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, resumiu a importância do momento: “Isso demonstra que a conservação marinha funciona, há esperança, e devemos celebrar apropriadamente, compartilhando otimismo oceânico”.

Contudo, a avaliação mais recente traz uma nuance importante. Enquanto a população global aumentou, subpopulações regionais apresentam realidades muito diferentes. Tartarugas-verdes no Oceano Índico Norte ainda são classificadas como vulneráveis, enquanto as do Pacífico Centro-Sul continuam em perigo. No Atlântico Norte, embora estejam na categoria de menor preocupação, sinais de declínio começam a aparecer — especialmente no maior sítio de desova em Costa Rica, onde os números de nidificação diminuíram nos últimos anos, um padrão que merece investigação aprofundada.

Godley alertou que a classificação geral de “pouco preocupante” não significa que a vigilância deva cessar. Na verdade, ele destaca que muitos cientistas de conservação consideram a tartaruga-verde como uma espécie “dependente de conservação” — ou seja, se os esforços de proteção parassem, a população provavelmente colapsaria rapidamente. A falta de aumento uniforme em todos os oceanos comprova essa fragilidade subjacente. Roderic Mast, coordenador do Grupo de Especialistas em Tartarugas Marinhas da IUCN, reforçou a mensagem: “Tartarugas marinhas não podem sobreviver sem oceanos e costas saudáveis. Esforços de conservação sustentados são fundamentais para garantir que essa recuperação perdure”.

O significado dessa reclassificação vai além dos números. Representa a validação de estratégias globais de proteção ambiental e oferece esperança em um contexto em que a maioria das notícias sobre biodiversidade traz preocupações. Para o Brasil especificamente, onde tartarugas marinhas desovam em praias do Nordeste e Espírito Santo — e onde projetos como o Projeto Tamar trabalham há décadas —, a notícia reforça a importância de investimentos contínuos em conservação costeira. O sucesso da tartaruga-verde mostra que políticas públicas bem executadas, educação ambiental e tecnologia apropriada podem reverter danos ambientais.

Mas há um recado claro dos especialistas: este não é o fim da história, mas um ponto de inflexão. A tartaruga-verde demonstrou que pode se recuperar quando protegida, mas sua vulnerabilidade a pressões como mudanças climáticas, perda de habitat e poluição plástica continua real. A tarefa agora é manter a pressão dos esforços de conservação, expandir proteções para as subpopulações mais vulneráveis e garantir que o otimismo ganho não se transforme em complacência. Como disse Godley, felicitando as equipes de conservacionistas espalhadas pelo planeta, a contribuição de pesquisadores e gestores de diferentes países foi essencial para chegar a esse resultado — uma colaboração genuína em prol da vida marinha.

Fonte: Mongabay ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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