Vacina contra a malária já evita mortes de crianças na África, confirma OMS
Estudo publicado na Lancet mostra que a imunização impediu uma em cada oito mortes infantis em três países africanos.
Uma das doenças que mais matam crianças pequenas no mundo começou a recuar graças à vacinação. A Organização Mundial da Saúde anunciou, em maio de 2026, novas evidências de que a vacina contra a malária está de fato salvando vidas na África, com base em uma avaliação rigorosa publicada na revista científica The Lancet.
O estudo acompanhou a introdução da vacina RTS,S em Gana, Quênia e Malaui ao longo de quatro anos, entre 2019 e 2023. Os resultados mostraram que, entre as crianças em idade de receber o imunizante, cerca de uma em cada oito mortes que ocorreriam foi evitada. É um número expressivo para uma enfermidade que, apenas em 2024, tirou a vida de aproximadamente 438 mil crianças no continente africano.
O avanço é resultado de anos de pesquisa e de um esforço de cooperação internacional para levar a proteção às regiões mais afetadas. Hoje a OMS recomenda duas vacinas, a RTS,S e a mais recente R21, ambas aplicadas em um esquema de quatro doses. Vinte e cinco países africanos onde a doença é endêmica já incorporaram a imunização à rotina, com potencial de alcançar mais de 10 milhões de crianças por ano.
Além de conter a própria malária, a chegada da vacina abriu portas para outros cuidados de saúde. Nos postos de vacinação, as famílias aproveitam para atualizar outras doses infantis, como as de sarampo e meningite, e recebem suplementação de vitamina A e mosquiteiros tratados com inseticida. Segundo a avaliação, a novidade não prejudicou a adesão a essas outras medidas de prevenção.
O desafio que permanece é de recursos. A OMS destaca que há vacinas em estoque e forte demanda das comunidades, mas limitações de financiamento ainda impedem que os países ampliem a cobertura no ritmo necessário. Ampliar o alcance da imunização, avaliam os especialistas, pode poupar dezenas de milhares de vidas jovens todos os anos.
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