Maratona de jogos volta a celebrar década com foco em inclusão de mulheres e pessoas não binárias
Women Game Jam chega à 10ª edição em outubro de 2026, reforçando seu compromisso com diversidade e colaboração no desenvolvimento de games.

A Women Game Jam (WGJ) marca sua décima edição com uma proposta que segue consolidando um espaço fundamental na indústria criativa brasileira: a maratona internacional de desenvolvimento de jogos acontecerá entre 16 e 18 de outubro de 2026 e reunirá mulheres cisgênero, mulheres transgênero e pessoas não binárias em torno de um objetivo comum — criar jogos em um ambiente colaborativo, acolhedor e livre da pressão competitiva que caracteriza muitos eventos similares.
Ao contrário dos formatos tradicionais de game jams, que frequentemente replicam dinâmicas de competição, a Women Game Jam propõe um modelo radicalmente diferente. No primeiro dia do evento, as equipes — que podem ser compostas por pessoas com os mais variados níveis de experiência — recebem um tema inspirador. Durante todo o fim de semana, trabalham juntas para materializar um jogo, seja ele digital ou analógico, com ênfase no aprendizado mútuo e na construção coletiva. Essa abordagem não apenas diminui a ansiedade dos participantes iniciantes, como também valoriza a troca genuína de conhecimentos entre profissionais experientes e quem está dando os primeiros passos na criação de jogos.
A iniciativa nasceu com um propósito explícito: enfrentar a histórica sub-representação de grupos marginalizados no desenvolvimento de games, um setor dominado há décadas por homens cis e frequentemente hostil ou excludente para mulheres e pessoas não binárias. A Women Game Jam virou um movimento internacional justamente porque reconhece que a diversidade não é um adereço ou uma cota de responsabilidade social corporativa — é essencial para a criatividade, para a inovação e para que a indústria de jogos reflita realmente os públicos que ela atende. Ao remover barreiras de competição e ao criar um espaço psicologicamente seguro, o evento abre portas para talentos que talvez nunca tivessem a oportunidade de entrar nesta indústria.
Entre as organizadoras da edição brasileira está Nickie Maxine, game designer com mais de uma década de experiência profissional em empresas como Google, Microsoft e Samsung. Nickie também lidera a ALD Jogos (Aliança de Criadores e Desenvolvedores de Jogos do Norte do Brasil), uma organização que trabalha especificamente pela ampliação da diversidade no setor. Sua presença na liderança da Women Game Jam Brasil reflete um compromisso não apenas pessoal, mas estratégico: profissionais que alcançaram posições de visibilidade e influência dentro da indústria agora usam essas plataformas para construir escadas que outras pessoas possam subir.
Mas o impacto da Women Game Jam não se resume aos protótipos criados durante um fim de semana — embora esses projetos frequentemente se transformem em jogos publicados, em portfólios que abrem portas, em conexões profissionais duradouras. O evento trabalha em múltiplas camadas: fortalece a formação de portfólios de participantes, amplia o contato e a colaboração entre profissionais da indústria, e talvez mais crucialmente, contribui para a permanência de mulheres e pessoas não binárias em uma área que historicamente as esgota e expele. Quando você cria um espaço onde essas pessoas se sentem bem-vindas, onde suas contribuições são valorizadas e onde aprendem umas com as outras, você não apenas produz um jogo melhor — você transforma carreiras, constrói comunidades e altera a trajetória de toda uma indústria.
A décima edição de 2026 será organizada por comunidades participantes da iniciativa internacional, o que significa que haverá eventos simultâneos em diferentes países e regiões, conectando pessoas em uma rede global de apoio e criatividade. Essa estrutura descentralizada é estratégica: reconhece que cada comunidade local tem suas próprias necessidades, contextos culturais e desafios específicos, e que a melhor forma de criar impacto é enraizar o movimento localmente. Para quem deseja participar — seja como desenvolvedor, artista, programador, designer de som ou qualquer outra função essencial para criar um jogo — as inscrições e detalhes de programação serão divulgados pelos canais oficiais da Women Game Jam Brasil. A mensagem é clara: dez anos depois de sua criação, o movimento não apenas persiste como se fortalece, sempre com o mesmo propósito: criar espaço para vozes historicamente silenciadas e provar que inclusão não é um obstáculo para a criatividade, mas o seu maior combustível.