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Zoo britânico salva espécie de caramujo à beira da extinção e devolve centenas à ilha atlântica

Programa de reprodução em cativeiro resgatou caramujos tão raros que cabiam em uma placa de petri, devolvendo centenas ao seu habitat natural.

22 de agosto de 2026

Zoo britânico salva espécie de caramujo à beira da extinção e devolve centenas à ilha atlântica
Foto: Frontierofficial (BY) via Openverse

Uma operação de resgate biológico bem-sucedida devolveu a esperança a uma espécie de molusco minúsculo que estava à beira do desaparecimento total. O Zoo Chester, na Inglaterra, liderou um esforço internacional para salvar o caramujo terrestre das Ilhas Desertas (Geomitra coronula) após descobrir que toda a população selvagem do planeta cabia dentro de uma única placa de petri — um símbolo impactante da gravidade da situação.

Tudo começou quando biólogos do parque francês ZooParc de Beauval encontraram apenas 21 exemplares da espécie agarrados à vida sob uma única pedra no arquipélago da Madeira, em Portugal. A situação era tão crítica que a instituição francesa pediu ajuda urgente ao Zoo Chester. O desafio era aparentemente impossível: salvar uma espécie de molusco de poucos milímetros de comprimento que havia praticamente desaparecido do mundo.

O habitat original dos caramujos foi praticamente destruído ao longo de décadas. Cabras selvagens, ratos e coelhos introduzidos no arquipélago da Madeira devastaram a vegetação da ilha, transformando-a numa terra árida. Com a ausência de fontes naturais de água doce nas ilhas, os roedores passaram a predar os próprios caramujos, acelerando o declínio. A combinação de invasão biológica e mudanças ambientais criou um cenário onde a extinção parecia inevitável.

Os bioconservadores do Zoo Chester, liderados por Tamas Papp da equipe de invertebrados, compreenderam a urgência. “Tínhamos uma única chance. Se perdêssemos esse momento, seria o fim absoluto para a espécie”, explica Papp. O zoo iniciou um programa de reprodução em cativeiro que se mostrou notavelmente eficiente. Em poucos meses, mais de 300 descendentes dos 21 caramujos originais foram criados com sucesso, transformando um punhado de indivíduos numa população viável.

Antes da libertação, o governo da Madeira trabalhou intensamente para restaurar as ilhas. Foram removidas as espécies invasoras que devastavam o ecossistema, trazendo de volta condições praticamente prístinas. Essa preparação cuidadosa também visava proteger aves marinhas raras e ameaçadas que compartilham o território. A reintrodução não era apenas sobre salvar um caramujo — era sobre restaurar um ecossistema inteiro desgastado pelo tempo. A libertação dos caramujos foi uma façanha logística impressionante, com Papp pessoalmente levando os 300 exemplares até a ilha de Bugio. A operação enfrentou condições marítimas ásperas, sem sequer um porto para atracar, e a equipe teve de usar lanternas de espectro vermelho para localizar pequenas rachaduras nas rochas adequadas aos caramujos, protegendo assim as aves marinhas sensíveis à luz artificial.

Apesar do tamanho minúsculo — não maiores que uma ervilha, com apenas 8 milímetros — esses caramujos desempenham papel crucial nos ecossistemas. Alimentam-se de vegetação, enriquecem o solo e contribuem para o equilíbrio biológico geral das ilhas. Conservadores acreditam que sua recuperação abrirá caminho para a restauração mais ampla dos habitats frágeis do arquipélago. O sucesso também plantou sementes para o futuro: o Zoo Chester agora trabalha para construir uma rede internacional de instituições de conservação envolvidas no programa de reprodução, com múltiplas instituições europeias oferecendo apoio. Esse modelo colaborativo demonstra como a conservação moderna funciona, combinando expertise científica, recursos institucionais e vontade política para transformar casos aparentemente desesperados em histórias de resgate bem-sucedido.

Fonte: Good News Network ↗
Este é um resumo original. Leia a matéria completa no veículo de origem.
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